Cantando Estações

A música faz a mágica de novo em 'La La Land'

Musical que arrebatou a maior quantidade de prêmios no Globo de Ouro está em ritmo de pré-estreia no Recife; Fãs do gênero não se decepcionarão

Robson Gomes
Robson Gomes
Publicado em 14/01/2017 às 5:00
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Musical que arrebatou a maior quantidade de prêmios no Globo de Ouro está em ritmo de pré-estreia no Recife; Fãs do gênero não se decepcionarão - FOTO: Foto: Divulgação
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O que se pode esperar de um filme musical que logo no primeiro minuto abre com um número alegre no meio de um congestionamento, em cima de um viaduto? Para quem não gosta do gênero, esse seria o prato cheio para se levantar da poltrona e deixar a sala de cinema imediatamente por “tamanha incoerência”. Mas é impossível fazer isso quando se trata de um longa como La La Land – Cantando Estações, que está em ritmo de pré-estreia nos cinemas brasileiros.

O filme, escrito e dirigido pelo jovem Damien Chazelle, traz, ao longo de duas horas e oito minutos, um musical arrojado, que se passa nos dias atuais de uma charmosa Los Angeles com a sonoridade atemporal do jazz. Como o subtítulo em português sugere – um dos casos de acerto em nossa língua, diga-se de passagem – a trama nos insere no ciclo das quatro estações pontuadas diretamente da vida da aspirante a atriz Mia (Emma Stone) e do pianista sonhador Sebastian (Ryan Gosling).

A linguagem encantadora de La La Land agrada aos fãs de musicais. Seja por alguns números gravados em interessantes planos-sequências, ou pela queda de luz e o acender de holofotes para indicar o início de um momento mais artístico e poético, como se não houvesse mais nada em volta. O filme não insere a música de maneira forçada. Ela auxilia o desenrolar da narrativa, poupando minutos de didatismo que poderiam ser gastos de maneira desnecessária em uma série de diálogos.

A trilha sonora impecável de Justin Hurwitz é bem executada e nada foge do contexto. Canções autorais como Another Day In The Sun (música de abertura) e Someone In The Crowd, ou conhecidas do público como Take On Me, do A-Ha, e até o silêncio constrangedor de um disco que termina numa vitrola, soam certeiras e pontuais em suas respectivas cenas.

Se a parte técnica agrada, os protagonistas também colaboram para a potência de La La Land. A química de Emma e Ryan é mais que evidente em cena. Um casal que se acerta tanto nos diálogos quanto em seus números musicais. A divertida canção A Lovely Night não teria a mesma magia se eles não fossem tão sutis em suas interpretações e, claro, na coreografia, assinada por Mandy Moore. E a cena do dueto voz e piano do casal em City Of Stars prova o quanto menos é mais: eles não precisaram ser afinados. A sequência tem risos deles no meio da canção, e tudo soou autêntico e romântico para aquele momento.

O filme é tão acertadamente dominado pelo casal, que os outros personagens (interpretados por J. K. Simmons, Sonoya Mizuno, Finn Wittrock e Rosemarie DeWitt) parecem fazer, na verdade, figurações de luxo. E isso vale até para o cantor John Legend, que deve ser o terceiro personagem com mais falas (e músicas) depois de Mia e Sebastian, ao viver o cantor Keith.

PERFEIÇÃO?

O longa também tem seus exageros. Ao fim de A Lovely Night, por exemplo, ficou claro que o cenário onde dançaram pela primeira vez não era o mesmo onde eles estavam em seguida. Assim como uma outra sequência de dança “em meio ao universo” poderia ser dispensada. Mas isso só corrobora o famoso senso comum de que nada nesta vida é perfeito.

Cinco anos depois de conhecermos as quatro estações, voltamos ao inverno, onde tudo começou. Com ele, um final nada óbvio, mas coerente com a proposta da trama. E, quando as luzes da sala de cinema se acendem, vem uma certeza: o show de La La Land – Cantando Estações é digno de bis.

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