Meu Malvado Favorito 3

Gru ganha irmão gêmeo e sequência recebe novo fôlego

O vilão mais amado do mundo agora tem que acertar contas com seu passado misterioso

Flávia de Gusmão
Flávia de Gusmão
Publicado em 30/06/2017 às 14:55
Universal Pictures/Divulgação
O vilão mais amado do mundo agora tem que acertar contas com seu passado misterioso - FOTO: Universal Pictures/Divulgação
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Não consigo decidir o que mais envolve na animação 3D Meu Malvado Favorito, a de número 3. Se é porque o adorável ex-vilão Gru de repente se vê contemplado com um irmão gêmeo ainda mais carismático, o Dru. Se é o fato de ambos terem uma mãe idosa, malvada e lasciva que os separou quando pequenos ou, ainda, os fiéis minions terem se rebelado – por quererem mais rebeldia e menos mansidão. Sem esquecer a cereja do bolo: o vilão Balthazar Bratt, um adulto com Síndrome de Peter Pan, inconformado por ter sido ejetado da condição de astro mirim de Hollywood assim que alcançou a adolescência. Provavelmente tudo isso junto.

Numa peça ficcional é um risco extirpar as características que fazem de um vilão aquilo que ele é, dando-lhe em retorno uma ilimitada bondade, ainda que desastrada e temperada por uma charmosa ranzinzice. Foi o que aconteceu com Gru, que no primeiro filme (2010) abdicou de seus propósitos egocêntricos (conquistar a lua) para se dedicar à paternidade de três menininhas órfãs (o suprassumo do altruísmo).

Na sequência, realizada em 2013, já encontramos nosso herói recrutado pela Liga Antivilões, disposto a salvar o mundo, dedicado às filhas Agnes, Edith e Margo e, ainda por cima, enamorado de Lucy. Enfim, um respeitável homem de família. Daí para frente, provavelmente encontraríamos repetições do mesmo tema com variações de vilões.

MAIS AGITAÇÃO

Ao somar tantas subtramas num único enredo, esta franquia se reinventa. O anti-herói Balthazar Bratt é uma construção de fina ironia em camadas sobrepostas. Com estimados 40 anos de idade, usa mullets (aquele cabelo comprido atrás, alto em cima e curto nas laterais), ombreiras e se move como um dançarino de discoteca. Toda a iconografia que o rodeia, inclusive sua trilha sonora pessoal, é localizada nos anos 80 e 90. Uma época propícia a toda sorte de exageros.

A alienação parental sofrida pelos irmãos Gru e Dru é outra seara que rendeu maravilhas à trama. Gru foi criado por uma mãe que o considerava um fracasso como filho e vilão pobre; Dru foi criado por um pai rico que fazia dele o mesmo juízo de valor, só que pelos motivos opostos: sua falta de jeito e disposição para a maldade.

Os Minions, que sozinhos não despertam tanta empatia quanto quando estão interagindo com outros personagens, aqui ganham importância na medida certa, sendo uma das cenas mais fofas a performance deles num programa do tipo The Voice.

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