Cinema

Crítica: 'Liga da Justiça' comprova que a DC pode fazer bons filmes

[Sem spoiler] Mesmo seguindo tons escuros e trilhas sombrias dos filmes anteriores, 'Liga da Justiça' nivelou muito bem drama, aventura e comédia de ação

JEFFERSON SOUSA
JEFFERSON SOUSA
Publicado em 15/11/2017 às 12:00
(Foto: Divulgação/ Warner Bros.)
[Sem spoiler] Mesmo seguindo tons escuros e trilhas sombrias dos filmes anteriores, 'Liga da Justiça' nivelou muito bem drama, aventura e comédia de ação - FOTO: (Foto: Divulgação/ Warner Bros.)
Leitura:

“Ou você morre como um herói, ou vive o bastante para se tornar um vilão”, uma das frases mais icônicas do Batman, presentes na bem-sucedida trilogia de Christopher Nolan (2005, 2008, 2012), é uma boa metáfora para o que o Universo Estendido DC (DC Extended Universe) se tornou, desde os primeiros lançamentos em 2013, para uma parte dos fãs e para praticamente todos os críticos cinematográficos: um vilão incompreendido. Todavia, após trazer o inspirador Mulher Maravilha (2017), Liga da Justiça estreia hoje, em circuito mundial, como um esperançoso pedido de indulgência aos amantes dos personagens e de uma narrativa cinematográfica minimamente concreta.

Filme

Em Liga da Justiça, o diretor Zack Snyder fez algo praticamente inédito nos filmes de super-heróis que já dirigiu: apresentou harmonia entre clima, roteiro e expectativa de público. Vale ressaltar que Zack Snyder não comandou a pós-produção e gravações adicionais do longa como diretor, pois, antes de iniciá-las, ele passou por um grande trauma familiar que o obrigou a se afastar dos trabalhos, estes assumidos pelo até então produtor Joss Whedon (Avengers: Os vingadores).

Iniciando pelo grande problema de Liga da Justiça: o vilão Lobo da Estepe é esteticamente muito mal feito, principalmente por ser em CGI (imagens geradas por computador) – deficiência que se estende para alguns efeitos especiais de ambientação.
Porém, temos mais pontos positivos do que negativos para destacar. Mesmo ainda seguindo tons escuros e trilhas musicais sombrias dos compositores Junkie XL e Danny Elfman, o gênero do filme segue com o drama, mas agora com o acréscimo de aventura e comédia de ação. Sem falar no fan service (referências para agradas os fãs), que aparece poucas vezes, mas bem colocado.

O Bruce Wayne de Ben Affleck não está tão sisudo como suas últimas aparições e faz piadas sutis e elaboradas que não chegam a atrapalhar a clássica fama de sério e responsável que o Batman carrega. Ezra Miller faz um Flash imaturo e relativamente bobo, mas não suficientemente para deixá-lo chato ou desnecessário dentro da equipe. Jason Momoa, com uma pitada de anti-heroismo, reafirma a boa escolha da produção de colocá-lo como Aquaman, afinal, suas participações não só se encaixam com o que é esperado do personagem, como também dão uma nova roupagem através da sua atuação carrancuda. O Cyborg (Ray Fisher), infelizmente, se perde dentro da trama por falta de força do seu personagem no roteiro, do ator, e, mais uma vez, pelo uso excessivo de CGI na composição de seu corpo.

Diana Prince (Gal Gadot), como esperado, teve tanto destaque que, com exceção do último combate, todas as cenas de ação que ela participa poderiam ser intituladas de “Mulher-Maravilha e outros”. Além de ter papeis de liderança nas decisões e no recrutamento dos membros da liga, ela é quem demonstra mais domínio das habilidades em grupo e consciência de periculosidade do vilão.

Entretanto, a Mulher-Maravilha sofreu algumas pequenas adaptações que resultaram em grandes alternâncias negativas dentro da feição do personagem imponente que conhecemos no filme homônimo: no quesito de perfil emocional, ela é facilmente abalada por comentários maldosos sobre seu ex-namorado, e, pior, no quesito de figurino, com suas vestimentas mais sexualizadas do que antes, fato agravado pelas constantes posições de enquadramento que procuram dar enfoque em partes do seu corpo.

Liga da Justiça não é uma obra prima, até porque a DC já aprendeu na prática de que não é uma boa ideia se propor a isso, mas, além de se posicionar em uma escala acima de muitos blockbusters recentes, é um prova de que a famosa companhia de quadrinhos está começando a seguir um trajeto realmente proveitoso na produção de filmes de super-heróis – gênero que ainda está em experimentação por todos os lados –, renovando as esperanças dos fãs para o futuro: ninguém saiu da sessão para jornalistas extasiado, mas todos perguntavam em qual data sairia o Liga da Justiça 2.

Confira trailer:

O Jornal do Commercio fez uma enquete para você descobrir com qual personagem de Liga da Justiça você mais se parece.  Confira aqui.

Últimas notícias