COLECIONISMO

Caixas-surpresa para os amantes do cinema e da literatura

Empresas especializadas em mimos para leitores e cinéfilos a cada dia agradam mais

Ernesto Barros
Ernesto Barros
Publicado em 25/06/2019 às 19:30
Klecio Gonçalves/Divulgação
Empresas especializadas em mimos para leitores e cinéfilos a cada dia agradam mais - FOTO: Klecio Gonçalves/Divulgação
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Os amantes do cinema e da literatura, que gostam de ter na estante os filmes e os livros do coração, ganharam há três anos um clube que combina à perfeição suas duas paixões. Criado pelo casal Daniel Herculano, crítico de cinema, e Lívia Menezes, psicóloga, de Fortaleza, o Clube Box chegou à 36ª caixinha de surpresas agora em junho. A nova box, intitulada Onde Vivem os Monstros, foi criada especialmente para comemorar mais um aniversário da empresa e pode ser adquirida até hoje. Até agora, o Clube Box já vendeu sete mil caixas-surpresa em todo esse período. Além das 35 já lançadas, outras três tiveram lançamento especial: a caixa Onde Vivem os Monstros, um caixão especial em homenagem à Elvira, a Rainha das Trevas, e outra com colecionáveis fofinhos.

Há três anos, quando o cenário dos clubes de livros ainda estava crescente, Daniel e Lívia passaram alguns meses pesquisando uma porta de entrada no mercado, mas que pudessem ir além dos livros e das quinquilharias pop dos nerds e geeks. Apaixonado por cinema e literatura, o casal percebeu que o casamento, que partilhavam na vida e em casa, ainda não havia sido celebrado nesse mercado. Foi aí que eles viram a brecha do nicho do nicho.

“A gente pensou em montar uma caixa sempre com um livro, um filme – no caso um DVD, porque a gente aposta na mídia física – e uma camiseta. Aqui, a camiseta tem que ser sempre exclusiva e, a partir daí, a gente pensa em outro item, uma memorabilia, como um pôster ou alguma coisa que realmente bebe na cultura cinematográfica. A gente conseguiu perceber esse nicho do nicho e estabelecemos o primeiro clube de cinema e de literatura do Brasil”, relembra Daniel, numa entrevista por telefone.

Um das características das caixas é que o comprador, embora seja avisado do tema daquele mês, sempre conta com o elemento surpresa. Na caixa comemorativa do terceiro aniversário, Daniel acredita que a Clube Box já chegou à maturidade, com um bom movimento de clientes. A que será entregue em julho passa pelos anos 1980. “Todo mundo pede para a gente fazer variações desse tema. O que posso falar é que vamos trabalhar com uma antologia de terror nacional, uma camiseta que homenageia clássicos monstruosos e um filme em lançamento da Classicline – um filme trash, mas que inspirou vários outros nos anos 1980 e 1990. Além desse três itens, o grande trunfo dessa caixa é um colecionável que todo mundo que viveu aqueles anos gostaria de ter, não só na prateleira, mas pra ficar com ele para sempre”, adianta Daniel.

Para adquirir as caixas, que custam entre R$ 85,90 e R$ 89,90, dependendo se for uma compra avulsa ou dentro de um plano mensal ou semestral, o colecionador precisar entrar na loja virtual www.clubebox.com.

Embora o boom dos clubes dos livros e dos mimos pop tenha cara de novidade, o mercado livreiro do Brasil foi palco de uma experiência bem-sucedida, a partir da década de 1970. Com leis menos rígidas – não havia box nem brinquedos à venda –, o Círculo do Livro marcou a memória de muitos leitores brasileiros. Entre 1973 até o começo da década de 1990, a confraria chegou a ter 800 mil sócios, com presença em 2.850 municípios brasileiros e com uma rede de 2,6 mil vendedores. De acordo com o historiador Laurence Hallewell, em O Livro no Brasil: Sua História, publicado pela editora Edusp, o Círculo do Livro vendeu 5 milhões de unidades em 1982.

CURADORIA

Para preparar cada caixa, Daniel e Lívia usam todo o conhecimento adquirido em anos de convívio com os filmes e os livros para estabelecerem uma noção de curadoria bem precisa, principalmente em relação aos gêneros mais apreciados pelos clientes. Nesses três anos de experiência, eles já entenderam qual o gosto dos assinantes, como também sabem as fases do ano propícias para determinados temas. “Eles gostam muito de nostalgia, mas mesmo assim a gente pensa nos temas olhando para frente e para trás, de forma que a gente homenageia algumas datas importantes, como os 30 anos de Elvira, a Rainha das Trevas, por exemplo. Na época do Oscar, há sempre uma caixa para homenagear os filmes de suspense e terror já indicados. Às vezes, também podemos contemplar um tema a depender do lançamento de um grande livro ou de um DVD”, explica Daniel.

Para criar a caixa, Daniel diz que conta com colaboradores da área de distribuição de DVDs, editoras de livros e de uma empresa especializada em desenhos e ilustrações de camisetas e pôsteres. Para a escolha dos DVDs, a Clube Box tem parceria com a distribuidora de DVDs Classicline desde o número zero. Para manter a unidade de pensamento entre a Clube Box e a Classicline, ele também faz uma curadoria conjunta. Todo mês, um dos filmes é exclusivo da caixa, enquanto os outros são lançados pela distribuidora. “É importante, dá um valor à caixa, porque o cliente não vai comprar um DVD que será encontrado numa prateleira qualquer a R$ 4 ou R$ 10. Os filmes são lançamentos e nenhum custa menos que R$ 36 ou mais que R$ 38”, garante.

Já com a Quadrin, que também é parceira desde o início, a relação é marcada pelo ineditismo, tanto das camisetas quanto dos pôsteres. “A gente fez um contrato para ter os produtos exclusivos, sem poder encontrá-los em nenhuma loja ou lugar da internet. Os assinantes recebem uma camiseta com uma estampa exclusiva, feita especialmente para aquele tema. A Quadrin só pode disponibilizar os produtos em sua loja depois de quatro meses que a caixa foi entregue aos nossos assinantes”.

Em relação às editoras, Daniel conta que a relação comercial é diferente, sem haver contrato de exclusividade, embora as parcerias sejam sólidas. “É sempre bom deixar bem claro que nada disso é dado, tudo é comprado. A parceria comercial é aberta em relação às editoras e acontece conforme o tema que a gente precisa e o que está sendo lançado no mercado. A partir daí, entramos em contato com a DarkSide, Companhia das Letras e seus vários selos, Aleph, School, L&PM, Zahar e Intrínseca. Mas a gente também já fez três lançamentos de livros independentes de autores cearenses. Colocamos nas caixas Jardim dos Famintos, de Adams Pinto, feito a partir de um financiamento coletivo; Boca de Cachorro Louco, de Kha Dantas; e A Revolução do Rock, de Fernando Benevides”.

ROSEBUD

Lançado em dezembro do ano passado, o Club Rosebub acompanha as pegadas do Club Box na exploração do universo do cinema. Enquanto o clube cearense explora mais o lado pop do cinema e objetos que os fãs adoram, a carioca Rosebud envereda por um caminho, digamos, mais acadêmico, ao focar o cinema de arte e a cultura cinematográfica. Iniciada como uma incubadora do Instituto Gênesis, na PUC-Rio, o projeto reúne três ex-estudantes de cinema da universidade. “Passamos muito tempo estudando o mercado, inclusive o caso da Clube Box, e vimos que poderíamos complementar esse nicho com as nossas ideias. Aliamos o entretenimento com a educação cinematográfica, porque além dos filmes temos livros sobre o conteúdo das caixas, em que os cinéfilos aprendem e se aprofundam nos conceitos do cinema”, explica Gleisson Lima, o CEO da Rosebud.

Em julho, a Rosebud vai entregar uma caixa tendo o subgênero Film Noir como tema. Nos seis boxes anteriores, os temas foram O despertar da paixão pelo cinema, a arte de fazer cinema, o movimento Nouvelle Vague, o cinema mudo, as mulheres no cinema, a psicologia das cores no cinema e depois Ingmar Bergman. Neste último, os assinantes tiveram acesso aos filmes Sonata de Outono e Fanny e Alexander, dirigidos pelo diretor sueco, e outro DVD com uma seleção de curtas do Festival Rosebud, além de um pôster do filme Persona e revistas sobre o diretor.

Para comprar os boxes, é preciso entrar na loja virtual www.rosebud.club. Até agora, a assinatura é apenas mensal, com o box custando R$ 99,90. Caixas mais antigas também podem ser adquiridas no valor de R$ 119,00. “Em breve também teremos também a opção de assinatura semestral, além de uma oferta maior de boxes anteriores”, adiantou Gleisson.

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