Estreia

Após ser refeito, Sonic - O Filme continua errando

Após um ano para ser consertado devido a repercussão negativa do seu primeiro modelo, Sonic finalmente estreia nos cinemas nesta quinta (13); confira a crítica

João
João
Publicado em 13/02/2020 às 18:42
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Após um ano para ser consertado devido a repercussão negativa do seu primeiro modelo, Sonic finalmente estreia nos cinemas nesta quinta (13); confira a crítica - FOTO: Divulgação
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Depois de quase um ano após a data prevista, Sonic - O Filme finalmente estreia nos cinemas. Com o modelo do famoso personagem de video-games refeito ao gosto dos fãs, o longa sofreu várias adaptações para chegar nos moldes disponíveis hoje.

A alta rejeição a caracterização do ouriço da Sega fez com que produtores e o próprio diretor do filme, Jeff Fowler, cedessem ao clamor da internet – algo inédito se tratando de um longa em live-action.

As alterações aconteceram pouco tempo depois do primeiro trailer do longa ser apresentado. Todo trabalho de computadorização, finalizado para encaixar o personagem entre atores reais, teve que ser refeito para um novo relançamento. Uma movimentação única que, à princípio, abre precedentes para outras demandas na forma que o público recebe diversos tipos de obras – dos filmes de heróis aos que lidam com personagens pop.

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Para o bem ou para o mal, esse fato por si só, gerou quase todo rebuliço em torno de Sonic - O Filme; maior talvez que a chegada do conhecido ouriço azul nas telas do cinema.

Felizmente, uma contradição. A narrativa do longa pouco se importa com regras de agrados aos fãs. Tratando-se de um personagem dos video-games como Sonic, é de se esperar um filme de ação com uma montagem ágil recheada de imagens efêmeras – ainda mais quando o protagonista é conhecido pela sua super velocidade.

Para surpresa de muitos, Sonic - O Filme baseia toda sua estrutura num drama que envolve uns quatro personagens em uma pequena cidade no interior dos Estados Unidos. Sem muitas explicativas sobre sua origem e poderes, o filme lança o ouriço no nosso planeta delegado a viver escondido. A solidão de não ter amigos ou interações assola Sonic – um personagem tradicionalmente bem-humorado e interativo.

Quando o governo norte-americano começa a investigar a criatura através da perseguição implacável do vilão Dr. Robotnik (Jim Carrey), Sonic termina se unindo ao também bem-humorado policial da cidade, Tom (James Marsden).

Qualidades

Desgarrar-se do “fan-service” (principalmente depois de todo o processo de refeitura) não quer dizer que o filme seja impecável. O humor meio infantil, meio adolescente, é extremamente batido – tirando as partes em que Jim Carrey aparece, em mais uma atuação espetacular (e esperada). O longa flerta com piadas mais "adultas", mas a concepção dos seus personagens são completamente unidimensionais e infantilizadas; incluindo a abordagem ao governo norte-americano. 

A própria trama, que felizmente rejeita as grandes resoluções dos blockbusters atuais, não convence nas suas saídas bem clichês e americanizadas. O conforto é que se o longa economiza no agrado aos fãs das narrativas frenéticas, sobra afeição pelos pequenos dramas; da importância dos laços de amizade até o sentimento de pertencimento e aceitação (o que também não é grande coisa).

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