CINEMA

Legado da República de Weimar ganha retrospectiva em Berlim

Festival escolheu 31 filmes para mostra em parceria com a Cinemateca Alemã

Ernesto Barros
Ernesto Barros
Publicado em 17/02/2013 às 6:03
Divulgação
Festival escolheu 31 filmes para mostra em parceria com a Cinemateca Alemã - FOTO: Divulgação
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Já é uma tradição do Festival de Berlim. Todos os anos, em cooperação com a Cinemateca Alemã, o festival promove retrospectivas sobre importantes aspectos do passado do cinema. Em 2012, a homenagem recaiu no legado da produtora Traumfabrick, que ajudou a criar as obras-primas do revolucionário cinema soviético dos anos 1920. Este ano, a retrospectiva chamou-se The Weimar touch - A Influência internacional do Cinema Weimar depois de 1933.

A produção cinematográfica da República Weimar, como a Alemanha se chamava antes da ascensão de Hitler, ocorreu entre 1918 e 1933. Depois desse período, diretores, roteiristas, atores e técnicos do cinema da época fugiram do país e se exilaram na Hungria, França, Grã-Bretanha, Holanda, Portugal e Estados Unidos. Nessa diáspora, cerca de dois mil trabalhadores da indústria cinematográfica fugiram da Alemanha, entre eles nomes como Billy Wilder, Fritz Lang, Ernst Lubitsch, Mas Ophüls, Marlene Dietrich, Conrad Veidt e tantos outros.

Para conseguir reunir os 31 longas-metragens da retrospectiva, pela primeira vez a Cinemateca Alemã, que este ano comemora 50 anos, juntou forças com uma instituição estrangeira, o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque - MoMA. Produzidos com a ajuda dos artistas banidos da Alemanha, os filmes incluem vários gêneros, de produções Classe A até trabalhos de baixo orçamento. Embora eles não façam parte da história do cinema alemão, a presença dos imigrantes deixaram marcas estéticas e influências dos filmes feitos durante a República Weimar.

Os curadores da Cinemateca Alemã e do MoMA dividiram a retrospectiva em seis segmentos, cada um fazendo a ligação entre as características da produção local e o que foi feito fora do país. Em Ritmo e gargalhadas, comédias, operetas e musicais, ganharam novas versões em filmes como Peter, de Hermann Kosterlitz, feito na Hungria em 1936. O mesmo se aplica à divertida comédia Quanto mais quente melhor (Some like it hot, 1959), que Billy Wilder transportou, com seu humor subversivo, para os Estados Unidos daquele mesma época.

Em O lado escuro, o destaque são os thrillers, uma marca registrada do cinema americano a partir da segunda metade dos 1930, que tiveram auxílio de cineastas como Fritz Lang e Robert Siodmak e produtores como Seymour Nebenzal. Lang tornou-se cidadão americano em 1935 e em seguida realizou Fúria (Fury, 1936). Antes de chegar aos Estados Unidos, Siodmak realizou Traps (Pièges, 1939) durante seu exílio na França. Nebenzal, que produziu diversos filmes na República de Weimar, continuou seu trabalho na América em produções menores como A caçada (The chase), de Arthur Ripley.

Em Luz e sombras, o legado de diretores com F.W. Murnau é visível na obra-prima Como era verde o meu vale (How green was my valley, 1940), de John Ford. Emeric Pressburger, um dos mais brilhantes roteiristas da República Weimar, emigrou para a Inglaterra e fez uma brilhante parceria com Michael Powell em filmes como The small back room (1949), que se passa durante a II Guerra Mundial.

Alguns filmes alemães, por exemplo, ganharam versões em outro países. Em 1951, Seymour Nebenzal contratou Joseph Losey para fazer um remake de M - O vampiro de Dusseldorf, que Fritz Lang havia dirigido em 1931. O filme está presente no segmento Variações. Em Conheça seu inimigo, alguns filmes demonstram que o cinema também foi usado como arma para lutar contra o nazistas e ridicularizar sua ideologia. Os maiores exemplos são os clássicos Casablanca (1942), de Michael Curtis, e Ser ou não ser (To be or not to be, 1942), de Ernst Lubitsch.

O repórter viajou numa parceria com o Centro Cultural Brasil-Alemão.

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