LANÇAMENTO

Primeiro romance de Leonard Cohen é lançado no Brasil

A brincadeira favorita foi publicado pela Cosac Naify mais de 30 anos depois do seu lançamento mundial

Marina Andrade
Marina Andrade
Publicado em 19/03/2012 às 9:43
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“É fácil exibir uma ferida, as orgulhosas cicatrizes de guerra. O difícil é ter espinhas”. Em 1973, Leonard Cohentinha apenas 29 anos e era conhecido por ser um poeta prestes a lançar o ser primeiro romance: A brincadeira favorita (R$ 39,90). A obra não foi recebida com a mesma empolgação das suas músicas. No entanto, o trabalho é conhecido até hoje por ser um livro de “geração” - que se debruça sobre uma juventude que sofre para andar com as próprias pernas e tenta se livrar das amarras familiares, religiosas ou sexuais. a publicação foi lançada neste mês pela editora brasileira Cosac Naify e retrata um Leonard Cohen talentoso na literatura e que trata o deslumbramento juvenil e a chegada na vida adulta com a mesma força de detalhes. 

Com uma narrativa fragmentada, enxuta e simples, Leonard Cohen divide A brincadeira favorita em pequenas cenas, como se estivesse fazendo um longa-metragem sobre a vida de um jovem Lawrence Breavman desde a vida em uma pequena comunidade judia do Montreal, no Canadá, quando passava as noite em busca de namoradas até a chegada em Nova Iorque, numa realidade na qual os problemas amorosos pareciam um pouco mais sérios. 

Na verdade, A brincadeira favorita revela as descobertas sexuais e até mesmo literárias de Lawrence e não se esconde que qualquer semelhança com a vida do próprio Cohen não é mera coincidência. Dentro que um universo protagonizado por um pai doente e uma mãe controladora, neste ambiente não há muito espaço para aflorarem individualidades ou desejos. Muito embora Lawrence e o grande amigo Kranz façam de tudo para o ultrapassar a barreira que os sufocam. 

No entanto, Leonard Cohen não pouca os leitores, é irônico e constrói uma narrativa na qual a piedade raramente ganha vez. Desde o acidente com a pequena Bertha – que “caíra como maças e uma flauta” de uma árvore, ficando paraplégica graças a uma brincadeira dos amigos – até o atropelamento do jovem Martin por um caminhão, menino que antes havia sido descartado e esquecido pela própria mãe, Cohen é direto e  evita o drama. 

A brincadeira favorita é realmente um livro sobre uma geração, que fala para um grupo através de um único personagem. Uma geração pós segunda guerra mundial perdida, desolada – que não pensa duas vezes antes de cometer os mesmos erros e ofender as pessoas erradas. É sobre uma geração, que sofreu com a guerra, mas se orgulha das cicatrizes conquistadas. 

Leia mais no JC desta segunda (19), no Caderno C

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