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Wisnik busca entender o País a partir do futebol

Convidado do festival A Letra e a Voz, o crítico e músico dala sobre o esporte

Diogo Guedes
Diogo Guedes
Publicado em 25/08/2012 às 6:07
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Uma das melhores definições do sentido do futebol para a cultura brasileira é a expressão do título de uma obra do músico, escritor e professor paulista José Miguel Wisnik: Veneno remédio, bom e mau na mesma dose. O autor é um dos convidados deste sábado (25/8) da programação do festival A Letra e a Voz, conversando com o jornalista Talles Colatino sobre sua produção. Ele fala às 19h45 no auditório da Livraria Cultura (Rua Madre de Deus, s/nº, Bairro do Recife), com entrada livre.

Inevitavelmente, o tema da mesa deve passar pelo estudos literários e musicais de Wisnik, além de seu trabalho como compositor. Sua obra mais recente, no entanto, aborda o esporte bretão, fazendo o caminho de outros grandes intérpretes da cultura brasileira, como Gilberto Freyre e, claro, Nelson Rodrigues, um dos que melhor viu a ampla importância do futebol para se falar do Brasil.

Para o autor, ainda hoje, a nação cai em um simplismo: o de achar que o futebol é apenas de um esporte. “Acho que a reflexão ensaística sobre o futebol como ‘fato social total’, como sintoma e expressão da sociedade toda, é muito mais praticada em países de língua espanhola do que no Brasil”, comenta. O panorama, para ele, está mudando – cita como exemplo ensaios do escritor e artista plástico Nuno Ramos e também o livro A dança dos deuses, de Hilário Franco Júnior.

No provocante Veneno remédio, Wisnik define a elipse como um dos traços específicos do nosso futebol. “O estilo da elipse é um estilo da não-linearidade. Folha-seca, chapéu, corta-luz, drible de Garrincha, elástico, pedalada, é tudo ‘elipse’ em campo, formando um repertório de jogadas inventadas e desenvolvidas pelo futebol brasileiro, uma concepção do jogo como busca de beleza e ‘promessa de felicidade’”, sintetiza.

Se os tempos do futebol romântico acabaram, não significa que o esporte deixou de ser um retrato fiel do Brasil. “O Brasil por acaso não é uma sociedade industrial e pós-industrial inserida na economia global? O mercado entranha hoje as relações culturais no mundo todo, e sem isso não entendemos nada, inclusive para criticar”, explica o autor. “O futebol é hoje intensamente mercantilizado. Ironicamente, também, por uma série de características inerentes a esse jogo, é o mais difícil de reduzir aos ditames do planejamento empresarial, porque é mais imprevisível, é o menos redutível às estatísticas, tem um arco narrativo mais amplo, e é o mais sujeito à interpretação”.

Leia mais no Jornal do Commercio deste sábado (25/8).

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