QUADRINHOS

Exposição traz para o Recife o humor poético de Liniers

A mostra Macanudíssimo mostra os belos traços do autor argentino, um dos principais entre os novos quadrinistas da América Latina

Diogo Guedes
Diogo Guedes
Publicado em 27/09/2012 às 7:00
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A mostra Macanudíssimo mostra os belos traços do autor argentino, um dos principais entre os novos quadrinistas da América Latina - FOTO: Divulgação
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O diretor francês Jean-Luc Godard afirmou certa vez que fazer cinema era criar música com pinturas, dar um compasso às imagens. De certa forma, então, os quadrinhos poderiam ser chamados de uma espécie de partitura dos desenhos, uma música que não é executada por uma tecnologia de exibição, mas sim pela esforço mental do leitor, que cria uma narrativa onde só existem imagens estáticas. Poucas HQs se encaixam tão bem nessa definição como as do quadrinista argentino Liniers, um dos mais celebrados de toda a América Latina. Para conferir esse universo melódico do traço do autor, não é preciso ir longe: sua obra é a estrela principal da mostra Macanudíssimo, quadrinhos, desenhos e pinturas de Liniers, que ocupa a Galeria 2, no segundo andar da Caixa Cultural, com abertura quinta-feira (27/9), às 19h, para convidados.

Ricardo Liniers Siri, seu nome completo, é um dos principais protagonistas de um grupo de autores que vem transformando o espaço mais massificado e estanque dos quadrinhos: as tiras diárias. Apesar dos gênios do humor (e da sutileza também) que passaram por esse espaço, de Quino e sua Mafalda a Charles M. Schulz e seus Peanuts, as tirinhas ainda obedecem hoje a uma padronização industrial do seu formato, além de serem quase obrigadas a se vincularem à comicidade.

Liniers, assim como Laerte e Angeli no Brasil, é um nomes que atuam na grande imprensa responsáveis pela guinadas das tiras para outros caminhos. Com a série Macanudo – publicada por um tempo da Folha de S. Paulo e com já quatro volumes de coletâneas – ele trabalha com o humor de um ponto de vista poético, tratando com leveza reflexões sobre a vida. Seus desfechos não têm fins apenas cômicos, mas também o intuito de bagunçar a própria lógica dos personagens e das situações insólitas que cria.

A mostra, que fica aberta para o público a partir de sexta (28/9), faz um grande apanhado da obra do quadrinista, com originais de suas tirinhas, pôsteres, bordados e até mesmo quadros. Com curadoria da paraibana Bebel Abreu, a exposição conta com um grande painel feito pelo quadrinista no Rio de Janeiro, única cidade onde Macanudíssimo passou antes de chegar até aqui.

Sábado, a Caixa Cultura ainda exibe gratuitamente, com senhas distribuídas uma hora antes, o documentário Liniers, el trazo simple de las cosas, da cineasta argentina Franca González (com legendas em espanhol). No dia 30 de novembro, o próprio Liniers vem à cidade lançar o quinto volume de Macanudo, com palestra e uma de suas disputadíssimas tardes de autógrafos – que costumam juntar filas imensas para ganhar um desenho exclusivo do autor.

Leia a matéria completa no Jornal do Commercio desta quinta-feira (27/9).

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