Bienal

Bienal do Livro de Pernambuco é motivo de disputa entre livreiros e produtor

Andelivros e Cia. de Eventos preparam, separadamente, a sua edição da feira. Mas só uma deve vingar.

Mateus Araújo
Mateus Araújo
Publicado em 27/02/2013 às 6:08
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Uma trama que promete emoções, disputa judiciais e envolve muito dinheiro. Não se trata de uma ficção ou um romance reportagem. Este é o enredo da 9ª Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, marcada para acontecer de 4 a 13 de outubro no pavilhão do Centro de Convenções, que deve movimentar mais de R$ 30 milhões – R$ 12 milhões em bônus do governo estadual e das prefeituras para professores fazerem aquisições e R$ 3,5 milhões em patrocínio e comercialização da feira. O embate começou a se desenhar há dois anos, na edição anterior do evento, quando a Associação do Nordeste dos Editores e Distribuidores de Livros (Andelivros) entrou com uma ação contra a produtora Cia. de Eventos, tendo como mote a cobrança de ingressos (R$ 4, inteira, e R$ 2, estudantes da rede privada e idosos), que é cobrado, por exemplo, nas Bienais do Rio de São Paulo.

A entidade dos livreiros, que são favoráveis à entrada gratuita, apresenta hoje à noite, num restaurante no Recife, o projeto para a edição deste ano, que pretende discutir com o público. Ao saber do anúncio, o produtor Rogério Robalinho, que assumiu a coordenação das últimas quatro bienais, marcou um encontro com a imprensa para as 10h30, num outro restaurante, para dizer que continua trabalhando na realização do evento. A Andelivros, que tem 30 associados e representa mais de 100 editoras do País, já tem o tema da sua bienal: De Gutemberg à era digital, que guia a feira pela recorrente discussão sobre a união da literatura com a tecnologia. A Cia. de Eventos, por sua vez, havia definido o tema desde o fim do ano passado: Literatura, futebol & identidades nacionais, numa articulação com a Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo – Secopa. Uma coisa é certa: só haverá uma Bienal do Livro este ano em Pernambuco.

A gota d’água para Andelivros – a cobrança de ingressos ao público – chegou à estância judicial na última edição. Um pedido de tutela feito pela entidade foi deferido por um juiz da 26ª Vara Cível do Recife, suspendendo a cobrança para entrada na feira, às vésperas do evento. Rogério Robalinho recorreu, derrubou a liminar e o ingresso foi cobrado. “Vivemos num Estado pobre. Temos que fazer o possível para facilitar a vida das pessoas para irem à Bienal do Livro”, diz o presidente da Andelivros, José Alventino. “O dinheiro da bilheteria era para ajudar a custear a bienal. A venda dos estandes não cobre todos os custos do evento, incluindo a programação cultural. Mesmo assim, nem todos pagam o ingresso. O acesso era gratuito para professores e alunos da rede pública e escolas com visitação agendada”, rebate Robalinho.

Nas cinco edições realizadas pela Cia de Eventos, os acordos com a Andelivros foram fechados de última hora, segundo o produtor. “Desde o início, a Cia. de Eventos assumiu todo o risco e a construção do empreendimento. Depois que a feira se tornou sucesso, levando 610 mil pessoas na última edição, a Andelivros quis cobrar participação pelos resultados na captação de patrocínio, na comercialização e na bilheteria, numa forma de capitalismo sem risco. Eles queriam colocar no material de divulgação que era uma realização da Andelivros, mas não participavam da articulação e da organização”, acusa o produtor. “Por outro lado, todo o dinheiro dos bônus e das vendas é todo para eles. Não temos direito nem reivindicamos”, acusa, revelando talvez os reais motivos do rompimento.

José Alventino prefere não polemizar. Em 2001, a Andelivros, por uma questão formal, contratou os serviços da Cia. de Eventos para fazer a produção executiva da bienal. O contrato valia apenas para aquela edição e não foi renovado. “Estamos contratando uma nova firma conceituada. A associação sabe fazer eventos, já fez em Garanhuns e participou da Fliporto”, diz o presidente da Andelivros. O livreiro adianta alguns detalhes da “nova” Bienal do Livro de Pernambuco, com relação à estrutura e aos convidados da feira de 2013. “Vamos conseguir o apoio da maioria dos municípios do Estado e pretendemos também criar um linha especial de ônibus, como há na Bienal de São Paulo e do Rio”, enumera. “Sobre convidados, é provável que venham participar da feira o padre Marcelo Rossi e a jornalista Sônia Bridi.” 

A Bienal da Cia. de Eventos, por sua vez, está avançada nas suas articulações com o governo do Estado. “Por uma questão de lealdade, levei o conflito ao governador Eduardo Campos. Estamos negociando a inclusão do Todos com a Nota e do Governo Presente no evento, fechando contratos com os patrocinadores via Lei Rouanet e temos 50% da comercialização realizada. Trabalhamos para ter uma maior variedade possível de editoras e não apenas os distribuidores de livros”, diz Robalinho. A curadoria literária está sendo feita pelo escritor e professor Wellington Melo, com consultoria de Homero Fonseca. 

Leia matéria completa no Caderno C desta quarta-feira (27)

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