VERSOS

Astier Basílio, João Filho e Bernardo Souto lançam livros no Recife

Editados pela Mondrongo, os três poetas se encontram neste sábado (30), no Entre Amigos

Diogo Guedes
Diogo Guedes
Publicado em 30/01/2016 às 4:00
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Editados pela Mondrongo, os três poetas se encontram neste sábado (30), no Entre Amigos - FOTO: Divulgação
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Três poetas de dicções distintas reúnem-se neste sábado (30/1) para mostrar seus novos trabalhos. O encontro traz para o Restaurante Entre Amigos, no Espinheiro, os versos singulares de Astier Basílio, João Filho e Bernardo Souto, unidos por uma mesma editora, a baiana Mondrongo. O evento, que começa às 17h e vai até as 22h, apresenta três obras do catálogo da empresa: Servir a Quem Vence, A Dimensão Necessária e O Corvo e o Colibri.

Nascido em Vitória de Santo Antão e radicado em Campina Grande, Astier Basílio lança por aqui o volume Servir a Quem Vence. A alusão ao poema de Luís de Camões indica o que dá unidade ao volume: os versos sobre o amor, um tema que, por ser tão falado e tão alvo de clichês, é dos mais difíceis na literatura. “Existem duas ilusões que todo jovem que escreve tem: que a poesia é fácil e que o amor é um tema perfeito para iniciantes”, comenta o escritor.

Na obra, ele fala do amor quase idealizado, do amor livre, do desejo e do erotismo, com versos que vão desde as comparações inusitadas (“os dois volumes da caixa do Guerra e Paz/ da Cosac/ são quase tão lindos quanto você”) até a sensação de sentir a “fala em falhas”. Servir a Quem Vence traz 24 poemas inéditos e outros 12 já publicados anteriormente, com versos criados entre 2005 e 2015.

O convite de Gustavo Felicíssimo, editor da Mondrongo, veio pelo fato dos dois terem um amigo em comum: o já falecido poeta Alberto da Cunha Melo. “Meus últimos três livros tiveram edições pequenas. Por isso, ao invés de um livro só de inéditas, coletei poemas de amor de obras anteriores que considerava significativos. Vem daí também a ampla gama de visões que o volume expressa”, analisa Astier. Além de referências – sutis, integradas naturalmente ao tema do amor – a autores como Drummond e Ferreira Gullar, o autor cria belas imagens: “O que eu não tenho/ te procura”.

São as palavras convulsas, “como peixes fora d’água”, do recifense Bernardo Souto, que compõem do livro O Corvo e o Colibri. Terceira obra de versos do autor, ela mostra a poética reflexiva do escritor – os temas filosófico, a tensão da linguagem, o peso do silêncio e a cultura oriental aparecem de forma recorrente nos seus textos. É num poema dedicado a Ângelo Monteiro, Breve História da Queda, que Bernardo diz: “Não somos leves como as aves:// Eis a nossa tragédia”.

O baiano João Filho, por sua vez, mostra aqui o livro A Dimensão Necessária, lançado em 2014. A obra já recebeu destaque da crítica e foi uma das vencedoras do Prêmio Biblioteca Nacional do ano passado. Segundo Gustavo, é uma obra com ares metafísicos, ainda que não se coloque distante do mundo. “Se tudo é insuficiente, espero”, comenta em um dos poemas.

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