DEBATE

Palestra aborda a história do Movimento dos Escritores Independentes

O professor José Eduardo Martins fala sobre o movimento na Academia Pernambucana de Letras

Diogo Guedes
Diogo Guedes
Publicado em 28/05/2016 às 5:55
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O professor José Eduardo Martins fala sobre o movimento na Academia Pernambucana de Letras - Reprodução
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A independência ante os governos, editoras e órgãos estatais, mas também a independência diante de uma sociedade opressora e das pressões intelectuais, políticas ou estéticas. Era isso - mais do que apenas produzir uma literatura à margem - que buscava o Movimento dos Escritores Independentes de Pernambuco, coletivo recifense dos anos 1980. A trajetória desses autores é tema de uma palestra ministrada nesta segunda (30), às 16h, pelo professor e poeta José Eduardo Martins na Academia Pernambucana de Letras (APL).

Professor da Universidade Federal de Rondônia, Eduardo foi um dos nomes a frente do movimento nos anos 1980, ao lado de Francisco Espinhara, Cida Pedrosa, Héctor Pellizzi e Fátima Ferreira. A palestra, realizada a partir de um convite da poeta e acadêmica Lucila Nogueira, vai mostrar um pouco da história do grupo, desde a sua primeira semente, no Encontro Nacional de Estudantes de Letras, na Bahia.

Além dos já citados, fizeram parte do movimento ou colaboraram com ele nomes como Marcelo Mário Melo, Samuca Santos, Luis Carlos Monteiro, França, Erickson Luna, Amara Lúcia, Raimundo de Moraes, Maria Celeste, Geni Vieira, Valmir Jordão, Wilson Freire, Juhareiz Correya e Cícero Belmar, entre outros. A ideia de independência do movimento era justamente não precisar se adequar a nenhuma estética já estabelecida e nem esperar o reconhecimento de críticos consagrados: para eles, era fundamental estabelecer o “caráter ideológico libertário da arte em relação à crítica”.

Além disso, o movimento dos escritores independentes buscava estar sempre ocupando a rua e transformando-a em palco para recitais – a Praça do Sebo, as pontes e a Rua Sete de Setembro eram alguns dos pontos favoritos. Espaços como a Livraria Reler e a Síntese também foram fundamentais para difusão do movimento, que chegou a produzir 29 livros em um só ano e criou dez jornais poéticos. Apesar da resistência de parte da crítica da época, Eduardo destaca que nomes como César Leal, Lucila Nogueira, Ângelo Monteiro, Marco Camarotti, Paulo Azevedo Chaves e Alberto da Cunha Melo reconheceram desde cedo a relevância da produção. O grupo começou a perder força por volta de 1987, quando Eduardo e Espinhara partiram para Rondônia, Cida Pedrosa foi para o interior de Pernambuco, e Héctor se mudou para o Maranhão.

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