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Poeta e letrista Geraldo Carneiro, 64 anos, é eleito para a ABL

Ele recebeu 33 votos, e vai ocupar a cadeira número 24, deixada vaga com a morte do crítico teatral Sábato Magaldi, em julho

Marcelo Pereira
Marcelo Pereira
Publicado em 27/10/2016 às 23:39
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Ele recebeu 33 votos, e vai ocupar a cadeira número 24, deixada vaga com a morte do crítico teatral Sábato Magaldi, em julho - FOTO: DIVULGAÇÃO
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uma palavra não é uma floruma flor é sue perfume e seu emblemao signo convertido em coisa-imãimanência em flor: inflorescênciauma flor é uma flor é uma flor(de onde talvez decorra o prestigio poético das florescom seus latins latifoliadosna boca do botânico amador)a palavra não: é só floriléfioficção pura, crime contra a naturapor exemplo, a palavra amor

 

 


 

O poeta e letrista mineiro Geraldo Carneiro, de 64 anos, conhecido por sua poesia bem-humorada e pelas composições interpretadas por artistas como Vinicius de Moraes, Tom Jobim, Ney Matogrosso e Gal Costa, foi eleito nesta quinta-feira, 27, como o novo imortal da Academia Brasileira de Letras. Ele recebeu 33 votos, e vai ocupar a cadeira número 24, deixada vaga com a morte do crítico teatral Sábato Magaldi, em julho.

Em 2016, Geraldinho, como é conhecido, lançou Subúrbios da Galáxia (Nova Fronteira), uma antologia de seus escritos em quatro décadas de produção.

Entre seus parceiros musicais, estão o músico mineiro Egberto Gismonti, o argentino Astor Piazzolla e os brasileiros Wagner Tiso e Francis Hime.

CURRÍCULO

Carneiro também é dramaturgo e roteirista de TV. Ele estreou na televisão em 1976, e foi no início da década de 1990 que ganhou destaque com a série O Sorriso do Lagarto, baseada na obra de João Ubaldo Ribeiro, de 1991, e com os episódios da Terça Nobre e Brasil Especial, faixa de programação em que eram apresentadas adaptações de obras literárias brasileiras. Em 2011, Carneiro recebeu o prêmio Emmy Internacional, pela adaptação de O Astro, escrita no ano anterior, em parceria com Alcides Nogueira. Ele também assinou roteiros no cinema, como o de Eternamente Pagu, de 1987, de Norma Bengell, e diversas peças de teatro, além de ser um reconhecido tradutor de Shakespeare no Brasil.

Há ainda outras duas cadeiras vagas na Academia Brasileira de Letras. Na próxima quinta-feira, 3, será eleito o novo ocupante da cadeira de número 40, que era ocupada pelo advogado, escritor e professor Evaristo de Moraes Filho, morto no dia 22 de julho de 2016. No dia 24 de novembro, outra quinta-feira, será definido o nome do novo acadêmico que ocupará a cadeira 22, deixada pelo cirurgião plástico e escritor Ivo Pitanguy, morto em agosto.

A ABL não divulgou oficialmente quem são os candidatos postulantes às duas vagas restantes, mas entre os nomes cotados estão o do romancista Raimundo Carrero, do ex-ministro da Cultura Francisco Weffort, do pesquisador e musicólogo Ricardo Cravo Alvim, do economista Edmar Bacha e do jurista Eros Grau.

 

POEMA DE GERALDO CARNEIRO

 

à flor da língua

 

 

       uma palavra não é uma flor

 

               uma flor é sue perfume e seu emblema

 

o signo convertido em coisa-imã

 

imanência em flor: inflorescência

 

uma flor é uma flor é uma flor

 

(de onde talvez decorra 

 

o prestigio poético das flores

 

com seus latins latifoliados

 

na boca do botânico amador)

 

a palavra não: é só floriléfio

 

ficção pura, crime contra a natura

 

por exemplo, a palavra amor

 

 

 

 

 

 

 

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