POESIA

Fábio Andrade traça perfil de simbolistas pernambucanos em novo livro

O e-book Três Poetas na Periferia do Simbolismo vai ser lançado na quinta (29/6), na sede da Editora da UFPE

Diogo Guedes
Diogo Guedes
Publicado em 28/06/2017 às 13:03
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O e-book Três Poetas na Periferia do Simbolismo vai ser lançado na quinta (29/6), na sede da Editora da UFPE - FOTO: Divulgação
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O simbolismo, movimento estético fundamental para se pensar o modernismo na Europa, não teve um papel tão essencial no Brasil. Mesmo um poeta importante como Cruz e Sousa teve seus méritos poucos reconhecidos durante muito tempo. Ao pesquisar sobre o decadentismo e o simbolismo, com olhos em Pernambuco, o poeta e professor da UFPE Fábio Andrade descobriu uma literatura esquecida.

A pesquisa gerou primeiro o livro O Fauno nos Trópicos, de 2015, que mapeou a produção de 13 autores pernambucanos. Quinta (29/6), a partir das 17h, na sede da Editora Universitária, Fábio vai lançar uma segunda etapa desse trabalho, o e-book Três Poetas na Periferia do Simbolismo (Ed. da UFPE). O volume é gratuito e vai estar disponível para download no site da editora depois do lançamento.

Se O Fauno nos Trópicos buscava apontar quem produziu a desconhecida poesia simbolista pernambucana, agora a pesquisa se debruça com mais profundidade sobre a criação poética de alguns deles. Os autores escolhidos são Mendes Martins, Domingos Magarinos e Agripino Silva, todos por conta de uma atuação poética em Pernambuco.

Fábio traz para a obra, como introdução, um debate sobre o contexto do simbolismo no Brasil e no mundo. “Mergulham no mundo arquetípico dos símbolos que dominam o homem profundo, em sonhos ou acordado, insistindo numa relação sempre representativa entre o mundo visível e o mundo espiritual invisível. A melancolia, a dor, a tristeza e a morte comparecem no ideário simbolista como representações da união perdida com o sagrado e consciência da finitude e limites da matéria”, escreve o autor.

A vontade de Fábio era ir além de nomes como Cruz e Sousa e Alphonsus de Guimaraens. Um dos pontos de partida é o volume Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro (1952), de Andrade Muricy, “a maior contribuição para a compreensão da importância e do alcance secreto, mas imenso” do simbolismo. No entanto, mesmo nesse livro só aparecem quatro poetas pernambucanos do movimento, justamente os que tiveram atuação no Rio de Janeiro.

PERNAMBUCO

O pesquisador se dedicou então aos que tiveram uma vida literária ligada à Pernambuco para mostrar que o simbolismo, se foi pouco visível no Brasil, foi ainda mais esquecido por aqui. Assim, Fábio constrói bons perfis de cada um dos poetas escolhidos, falando um pouco de suas vidas e dissecando as suas poesias, com direito a exemplos.

Assim, para ele, Mendes Martins, nos quatro livros que lançou, mostra uma poética marcada pelo pessimismo e pela obsessão pela morte, além de questionamentos do Cristianismo. “Ouso dizer que ele é o poeta que mais encarnou os ideais decadentes de sua geração. A morte, a dor, a ruína, o esvaziamento, o nada. Há uma espécie de culto do mal-estar que representa uma atualização da melancolia romântica”, comenta Fábio.

Já Domingos Magarinos – que se dedicou posteriormente à música popular e teve uma composição cantada por Carmen Miranda – tem uma obra com influência do ocultismo e do esotérico. “A premissa de toda a obra esotérica de Magarinos é basicamente a mesma: a América como o berço fundamental da raça humana, através de civilizações antiquíssimas que teriam desaparecido quase que completamente, deixando apenas uma sombra do que realmente foram”, pondera o pesquisador.

Por fim, em Agripino da Silva deixou uma obra que traz um simbolismo com influência parnasianas. Há muito dos cacoetes parnasianos, mas, aponta Fábio, “em meio a tudo isso, vê-se por vezes emergir uma poesia de grande fôlego inventivo, profundo sentimento espiritualista e de fina contemplação religiosa da natureza”. Três Poetas na Periferia do Simbolismo é um importante resgate e uma boa apresentação do passado oculto do simbolismo em terras pernambucanas.

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