Sonho

José Eduardo Agualusa lança livro no Centro de Cultura Luiz Freire

'A Sociedade dos Sonhadores Involuntários' foi baseado em evento político

JC Online
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Publicado em 20/07/2017 às 13:40
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'A Sociedade dos Sonhadores Involuntários' foi baseado em evento político - FOTO: Divulgação
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José Eduardo Agualusa, um dos mais celebrados e premiados escritores de língua portuguesa, imprime em sua literatura questões de ordens diversas, que flertam com o fantástico, mas sempre ligadas com a realidade, esmiuçando o ambiente social que o cerca, especialmente de seu país, Angola. Em seu novo romance, A Sociedade dos Sonhadores Involuntários (Editora Planeta), por exemplo, acontecimentos políticos recentes de seu país ganham as páginas mesclados a um interesse pela natureza dos sonhos. O autor participa do lançamento do livro, nesta quinta-feira (20), às 19h30, no Centro de Cultura Luiz Freire.

A Primavera Árabe, que eclodiu em 2011, com levantes das populações de vários países do mundo árabe contra governos totalitários, inspirou esperança em muitas sociedades marcadas pela opressão. Jovens da Angola, país que desde 1979 é governado por José Eduardo Santos, também sonharam a possibilidade de mudança, mas foram fortemente reprimidos. Um episódio no qual 15 deles foram presos arbitrariamente inquietou-se Agualusa.

“Comecei a escrever o livro na altura da Primavera Árabe (...) Há uma inquietação social e há também uma movimentação da sociedade civil contra o regime, que tem muito a ver com esses jovens, embora não se reduza a eles”, explica. “De outro lado, [A OBRA]também tem muito a ver com a questão dos sonhos, com minha própria ligação com os sonhos, que sempre me ajudaram enquanto escritor. Sonho muito com enredos dos livros, títulos. Então, a partir daí, comecei a me interrogar sobre o papel do sonho nas nossas vidas.”

As questões oníricas tiveram forte influência das ideias do neurocientista Sidarta Ribeiro, que comanda o Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Durante um período em que viveu em Natal, Agualusa manteve conversas frequentes com o pesquisador.

“Por mero acaso, encontrei a entrevista do Sidarta e fiquei completamente fascinado porque ele falava da necessidade de retomar o sonho, que foi importante para a humanidade por milênios”, pontua.

OLINDA

Em A Sociedade dos Sonhadores Involuntários, assim como em outras obras do escritor, Olinda e o Recife surgem como cenário. A paixão pelas cidades-irmãs tem razão de ser. No final dos anos 1990, José Eduardo Agualusa passou cerca de seis meses vivendo em Olinda. O “estágio” na Velha Marim exerceu forte influência em sua vida e obra.

“O tempo que vivi em Olinda me marcou muito. Acho que estabeleci uma relação com a cidade e com as pessoas. Olinda é uma das cidades da minha vida e está muito ligada ao meu imaginário, porque me lembra muitos espaços da minha infância. Espero que os amigos que fiz aí compareçam”, pontua.

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