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Revista Plaf abre espaço para os quadrinhos e representação LGBT

Publicação editada por pernambucanos já se encontra à venda em bancas, livrarias e na internet

Ernesto Barros
Ernesto Barros
Publicado em 27/08/2017 às 9:52
Fernando de Albuquerque/Divulgação
Publicação editada por pernambucanos já se encontra à venda em bancas, livrarias e na internet - FOTO: Fernando de Albuquerque/Divulgação
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É de Pernambuco um dos lançamentos mais importantes do ano no universo das HQs: com 58 páginas e editada em papel, a revista Plaf chega para mostrar que, se os quadrinhos nacionais estão mais vivos, a reflexão sobre sua importância e influência na vida dos leitores e na sociedade não está esquecida. Iniciativa da revista online O Grito!, realizada com recursos do Funcultura, a Plaf faz um mix entre o pensamento e a ação das HQs.

Bimensal e já disponível em bancas, livrarias e na internet (loja.revistaplaf.com.br), a revista custa R$ 15. No dia 3 de setembro, às 15h, na EV Store (Rua Conselheiro Portela, 417, Espinheiro), o lançamento terá a presença dos editores Paulo Floro, Dandara Palankof e Carol Almeida.

Com trabalhos ligados ao jornalismo, à tradução e pesquisas acadêmicas, o trio tem uma larga experiência em quadrinhos. "Comecei a esboçar esse projeto na cobertura que fazia em O Grito!, onde eu escrevia sobre a produção autoral e usava os quadrinhos para falar sobre outros temas. Eu sonhava em fazer uma revista impressa que fosse diferente, especial", explica Paulo, que faz mestrado na UFPB, em João Pessoa, sobre a imagem do Sertão nos quadrinhos. Além de reportagens, a revista traz HQs desenhadas pela mineira Lu Caffagi e os pernambucanos Raoni Assis e João Lin.

REPRESENTAÇÃO LGBT

Outro diferencial da Plaf é que os editores estão decididos a fazer da revista uma plataforma também à diversidade identitária e à representação LGBT nos quadrinhos. No editorial, Carol, Dandara e Paulo se apresentam "duas mulheres lésbicas e um homem gay. Duas pessoas brancas e uma pessoa negra". No primeiro número, eles assinam em conjunto a matéria de capa "A HQ é Queer", em que abordam o tema em contraponto a um ambiente historicamente dominado por homens brancos heterossexuais. "Decidimos afirmar essa representação, mas nos próximos números pode ser que falemos sobre a linguagem dos quadrinhos em si ou sobre a questão racial", assinala Paulo.

Não se pode dizer que os quadrinhos brasileiros atuais vivem uma era de ouro, mas os indícios de que a produção independente está em alta é uma realidade. Tanto nas versões digitais, que pipocam diariamente na internet, quanto nas prateleiras de livrarias - e principalmente nos eventos da área realizados pelo Brasil afora -, a visibilidades cresce a olhos vistos. "Existem alguns gargalos que impedem o crescimento dessa produção, como a distribuição e a divulgação, mas esses problemas estão sendo contornados pela internet, pelas redes sociais e o financiamento coletivo", aponta Dandara, que faz mestrado, também na UFPB, sobre representação LGBT nos quadrinhos.

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