POESIA

Obra de Natividade Saldanha é relançada no Recife

O poeta revolucionário pernambucano tem suas poesias reunidas por Sidney Rocha. O lançamento da obra é nesta quarta (30), no Espaço Pasárgada

Valentine Herold
Valentine Herold
Publicado em 29/08/2017 às 14:15
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O poeta revolucionário pernambucano tem suas poesias reunidas por Sidney Rocha. O lançamento da obra é nesta quarta (30), no Espaço Pasárgada - FOTO: Imagem: Divulgação
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De tempos em tempos, os cânones das mais diversas expressões artísticas e acadêmicas são revisitados e alguns nomes acrescentados ao panteão dos autores e artistas já celebrados. O aniversário de 200 anos da Revolução Pernambucana de 1817, cujas comemorações vem acontecendo no Estado e seguem até o fim do ano, pode ser um desse momentos em que personalidades de certa forma esquecidas têm seus valores e suas contribuições reafirmadas. José Natividade Saldanha não só foi um grande poeta, como também figura de importante papel na revolução de 1817. Sua obra é celebrada nesta quarta (30), com o lançamento da reedição de seu livro Poesias, às 19h30, no Espaço Pasárgada.

A obra havia sido originalmente lançada em 1875, demonstrando que o reconhecimento da poesia de Natividade Saldanha se deu de maneira tardia, 45 anos após sua morte. Saldanha foi profeta e mártir de sua época, como bem define o escritor cearense Sidney Rocha, parafraseando Joan Manoel Serrat ao falar de Antônio Machado. Sidney, inclusive, é o idealizador do projeto, editor do livro e assina a nota editorial - seguida do ensaio histórico-biográfico escrito por Mário Hélio. A atualidade de Natividade Saldanha, que nasceu no final de século 18 e morreu na primeira metade do 19, apenas aos 34 anos, é ressaltada por Sidney Rocha. Esta reedição tem como objetivo, para ele, mais do que simplesmente promover uma nova leitura das poesias do pernambucano, que também foi autor do manifesto da Confederação do Equador de 1824.

"É ler sua história, sua trajetória. Se observamos a crise política vivida atualmente pelo Brasil e lermos os bastidores da Revolução de 1824 vamos ver o quanto os nossos problemas e dilemas têm raízes muito profundas, e de como decaímos", ressalta o editor. Por que, então, continuar lendo Natividade? “Pela força de sua poesia clássica, e seu exemplo pessoal. Num tempo não mais de ideais, nem sequer de ideologia, editar um poeta revolucionário é dizer às novas gerações, aos jovens, que não fomos medíocres sempre, que sem radicalismos nem extremismos, é preciso realizar muitas coisas para o bem coletivo, e não apenas individual”, finaliza Sidney.

Não é por acaso que o escritor cita a juventude como público alvo deste livro. Poesias terá seus exemplares distribuídos para escolas e bibliotecas públicas do Estado - e quem comparecer ao lançamento será presenteado com um exemplar. Na ocasião do encontro amanhã, o poeta Marcelo Mário de Melo vai abrir o evento com uma fala abordando a pela relação entre poesia e revolução.

VIDA E ATUAÇÃO

Poeta revolucionário, Natividade Saldanha foi também vanguarda em outras áreas de atuação. Filho do vigário Saldanha Marinho e negro, ele defendia as ideias abolicionistas décadas antes de a sociedade se encaminhar para o movimentado que culminou na Lei Áurea. Estudou direito em Coimbra e morreu na Colômbia, afogado, enquanto estava exilado.

Seu conterrâneo João Cabral de Melo Neto o retratou em Um Poeta Pernambucano como sendo o primeiro que “(...) mostrou que um poema se podia /sobre o ponche de caju /sobre o galo-de-campina (...) pernambucano apressado/ léguas à frente do então/ foi-se antes de que o Império lhe desse decoração.”

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