LIVROS

Samarone Lima comemora um ano do Sebo Casa Azul, em Olinda

Para celebrar o aniversário do espaço, ele organiza uma feira de livros e um show de Gidália

Diogo Guedes
Diogo Guedes
Publicado em 07/04/2018 às 8:30
Alexandre Gondim/JC Imagem
Para celebrar o aniversário do espaço, ele organiza uma feira de livros e um show de Gidália - FOTO: Alexandre Gondim/JC Imagem
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Na primeira semana de funcionamento do seu sebo, a Casa Azul, em Olinda, o escritor Samarone Lima ainda sofria para se desfazer dos livros que expunha. Ganhou uma fama brincalhona de um “sebista que não queria vender”, como disse o escritor Sidney Rocha. Um ano depois da abertura do espaço, o autor continua uma apaixonado pela literatura, com um acervo de respeito, mas aprendeu também a fazê-los circular. A data é o mote de uma festa hoje, a partir das 15h, com feirinha de livros independentes e, às 20h, com o show Adonirando Barbosamente da cantora Gidália.

Ontem, as comemorações contaram com um recital com os poetas que têm se apresentado na casa, sempre às sextas. Se a ideia inicial de Samarone era vender os livros que colecionou ao longo da vida, primando pela qualidade, logo o Sebo Casa Azul foi se tornando um local para eventos literários e culturais. “Eu abri pensando em um sebo tradicional. Isso mudou por um acaso, quando Philippe Woolney perguntou se podia lançar o livro dele ali. Cedi o espaço e ele trouxe uma guitarra e uma caixa de som, fez uma performance usando a rua também. Muita gente foi parando, deu um movimento enorme. E aí foi como se tivesse aberto um espaço novo na casa”, conta o escritor.

A partir daí, em parceria com Fred Caju, começou a fazer recitais. Além disso, já abria a casa para leituras dramáticas e peças – algumas com participação surpresa da sua gata, Isabelita. Depois, passou a realizar algumas apresentações musicais nos sábados. Assim, o Sebo Casa Azul foi ficando com mais cara de centro cultural. “Hoje, o pessoal me procura para lançar livros, fazer recitais, mostrar peças”, comenta. “Olinda já tem essa tradição de saraus, fiquei feliz em fazer parte dela.”

MANUTENÇÃO DA CASA

As atividades ajudam a manter os custos da casa. “Tem sido uma experiência interessante. Muitos amigos chegam com caixas de livros para doar. Uma mulher deixava toda vez, quando eu estava lá dentro, um livro em francês para doação. Só depois fui descobrir quem era. Além disso, Célida, viúva de Samico, tem uma parceria com a gente, sempre mando obras para ela”, explica, já integrado à vizinhança.

Os livros são em português, espanhol, inglês e italiano – o que atrai turistas, também. Samarone costuma conversar um pouco e fazer recomendações aos visitantes. “Eu fico orgulhoso quando as pessoas elogiam o acervo”, afirma.

Com um ano passado, Samarone que manter o calendário constante no espaço. Tem outros planos, mas sem pressa. “Já pensei que, no quintal imenso que tem aqui atrás, ficaria bem um espaço massa como um café. Mas é só um plano”, pondera. “Cuido de um empreendimento que também a minha casa, tenho cuidado para não me atropelar. Ainda estou esperando uma máquina de cartão que comprei faz meses chegar.” É assim que Samarone lembra do mote do seu sebo: literatura, encontros e lentidão.

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