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Morre o escritor Tom Wolfe, ícone do Novo Jornalismo

Autor do celebrado romance 'A Fogueira das Vaidades', ele tinha 88 anos

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Publicado em 15/05/2018 às 12:54
AFP
Autor do celebrado romance 'A Fogueira das Vaidades', ele tinha 88 anos - FOTO: AFP
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Tom Wolfe, um dos principais jornalistas e escritores americanos, morreu segunda (14), enquanto estava internado em uma hospital em Nova York. Um dos principais nomes do Novo Jornalismo, ele estava com uma pneumonia. A informação foi confirmada por sua agente literária para o jornal The Guardian.

O autor começou sua trajetória no jornalismo. Foi parte de uma geração que reinventou a forma de narrar histórias dentro de jornais e revistas, junto com Gay Talese, Truman Capote e Norman Mailer. Era o que foi chamado depois – pelo próprio Wolfe, que apreciava o nome - de Novo Jornalismo.

Sobre o assunto, escreveu um ensaio, que abre o volume Radical Chique e o Novo Jornalismo, obra obrigatória dos cursos de jornalismo. Escreve no icônico prefácio sobre o contexto que fez surgir essa geração: "Se um jornalista aspirava a status literário, o melhor era ter o bom senso e a coragem de abandonar a imprensa popular e tentar entrar para a grande liga (publicar um romance)". O Novo Jornalismo surgiu, segundo ele, da tentativa de fazer no próprio jornal narrativas ousadas e literárias, sem abdicar da apuração e precisão jornalística.

Na reportagem Radical Chique, por exemplo, Wolfe mostrou com ironia as elites progressistas de Nova Iorque e o seu contato com os Panteras Negras, que lutavam radicalmente contra o racismo nos EUA.

EXPERIMENTAL

Wolfe foi um dos jornalistas que mais usou as possibilidades de recursos experimentais literários na sua prosa - já começou matérias com um longo parágrafo de onomatopeias, por exemplo. Depois, começou a escrever ensaios, como Da Bauhaus a Nosso Caos, e também romances. O mais famoso deles é A Fogueira das Vaidades, que virou filme com Tom Hanks no papel principal.

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