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Sérgio C. Buarque reúne contos sobre a história em 'Acasos e Ocasos'

A obra traz reinvenções do passado e narrativas inusitadas do economista e escritor

Diogo Guedes
Diogo Guedes
Publicado em 21/05/2018 às 18:44
Divulgação
A obra traz reinvenções do passado e narrativas inusitadas do economista e escritor - FOTO: Divulgação
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Em uma das narrativas do novo livro do escritor e economista pernambucano Sérgio C. Buarque, Napoleão Bonaparte, se dirigindo com seu exército para a Prússia, esbarra no caminho com o filósofo Hegel. Os dois conversam, discordam e, apesar de tudo, saem ligeiramente modificados desse encontro. Outro texto traz, em meio a ditadura militar, o embaixador do Brasil em Portugal sendo chamado para uma reunião em que surge a ideia de invadir o país europeu.

Os dois contos fazem parte do volume Acasos e Ocasos (Autografia), lançado agora pelo autor. Na trama desses textos, é possível ver a história ligeiramente modificada por uma fortuna ou pela força da ação humana. E é isso que o autor busca: mostrar os homens dentro do turbilhão da história e da política.

“Depois de publicar um livro de contos com narrativa mais afetivas e pessoais, eu comecei a pensar mais sobe alguns aspectos da política e da história. Ficava pensando se o passado poderia ser diferente se sofresse leves alterações – como eu trabalho com cenários futuros, sei da incerteza das coisas”, comenta o autor. O conto Repouso do Corso, por exemplo, especula como será a Revolução Pernambucana de 1817 se o plano de trazer Napoleão e seus oficiais para o Nordeste brasileiro tivesse sido bem-sucedido.

HISTÓRIA

Apesar desse passado livremente modificado, nem todos os textos imaginam as coisas se elas fossem diferentes. Em alguns, a ditadura militar é o pano de fundo, como Bola de Meia, em que um grupo de presos políticos inventa a liberdade dentro da sua cela jogando uma partida improvisada de futebol. Outro traz a campanha de um deputado populista que é misteriosamente visto desfilando com Miguel Arraes no interior de Pernambuco mesmo depois da morte do ex-governador.

“Faço reinvenções da história com a liberdade da ficção. Não queria fazer uma história ‘melhor’ ou algo assim”, conta o autor. O livro mostra as suas “especulações ficcionais”. “Quis ver os homens com suas vontades e angústias diante do real. Homero Fonseca, no prefácio da obra, destaca isso: a coisa humana se faz muito presente no livro”, aponta o autor.

Apesar de está com o livro à venda, o escritor avisa que não vai fazer um lançamento – não gosta de sentir que vai constranger os amigos a comparecerem e comprarem a obra. “Sempre me cobram lançamentos, mas não ligo. O que quero é que as pessoas leiam”, explica Sérgio. Para quem quiser adquirir Acasos e Ocasos, há dois caminhos: pelo site da editora Autografia (www.autografia.com.br) ou na Livraria Jaqueira. O volume custa R$ 45.

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