DOCUMENTÁRIO

'Casa Grande & Senzala' e Gilberto Freyre vistos por Nelson Pereira dos Santos

O documentário em quatro partes vai ser exibido pelo Cinema do Museu para celebrar os 119 anos de Gilberto Freyre

Diogo Guedes
Diogo Guedes
Publicado em 15/03/2019 às 10:43
Reprodução
O documentário em quatro partes vai ser exibido pelo Cinema do Museu para celebrar os 119 anos de Gilberto Freyre - FOTO: Reprodução
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Nos preparativos para o centenário de Gilberto Freyre, que aconteceria em 2000, o cineasta Nelson Pereira dos Santos (1928-2018) começou a planejar uma série de documentários que desse conta da principal obra do autor, Casa Grande & Senzala. O projeto era criar 13 programas de cerca de uma hora de duração, contemplando as cinco partes do livro. A obra terminou com outro formato, em quatro programas, mas manteve seu ímpeto original: trazer um olhar didático e extenso sobre uma das obras que buscou desvendar o que é o Brasil.

As quatro partes de Casa Grande & Senzala vão ser exibidas em duas sessões no Cinema do Museu seta e sábado (15 e 16/3), a partir das 19h. As duas primeiras partes, Gilberto Freyre, o Cabral Moderno e A Cunhã, Mãe da Família Brasileira, passam sexta (15/3); sábado (16/3), a continuação traz os capítulos O Português, Colonizador dos Trópicos e O Escravo Negro na Vida Sexual e de Família do Brasileiro.

A ideia inicial de Nelson Pereira era trazer o filme com narração de José Wilker. No começo das gravações, no entanto, se deparou com o pesquisador e amigo de Freyre, o historiador Edson Nery da Fonseca (1921-2014), que trazia desenvoltura de tela e no assunto para encampar o projeto. Transformou-o em uma espécie de guia do público pela vida e obra do autor pernambucano.

Na primeira parte, Nery – sempre acompanhado de uma atriz que faz o papel de aluna – fala da vida e das linhas gerais do pensamento de Freyre: “Eu venho procurando redescobrir o Brasil. Eu sou um rival de Pedro Álvares Cabral”, afirma o sociólogo. As partes seguintes se focam na presença dos indígenas, dos portugueses e do povos africanos na formação do Brasil, com o olhar freyriano de valorização do processo de mestiçagem. “A cultura europeia entrou em contato com a cultura indígena amaciada pela mediação africana”, diz Nery.

O filme tem poucos contrapontos ao pensamento freyriano, reverenciado por um admirador confesso. Nery é tão próximo de Freyre que os dois quase se confundem nas palavras do narrador. Nas três partes finais, Edson Cadengue comanda o grupo Teatro de Seraphim, com cenas que ilustram o livro. Nelson Pereira também traz os depoimentos dos atores sobre a experiência de encenar o passado colonial, momento que ressignifica o que foi mostrado e dito.

FGF

A Fundação Gilberto Freyre também celebra os 119 anos do seu patrono com apresentação do vencedor do Prêmio Gilberto Freyre, Cláudio Márcio Coelho, que vai publicar o ensaio vitorioso, Os Sherlockismos de Gilberto Freyre: a Antecipação Metodológica Freyriana nas Décadas de 1920 e 1930, pela Global Editora. O evento, que começa às 15h, ainda vai trazer o lançamento do volume Gilberto Freyre: Crônicas para Jovens, organizado por Gustavo Henrique Tuna.

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