ficção

Escritor Bernardo Brayner fala sobre processo criativo com editor

O autor se encontra neste sábado (23/3) com o editor Antonio Marcos Pereira

Diogo Guedes
Diogo Guedes
Publicado em 23/03/2019 às 8:21
Chico Barros/Divulgação
O autor se encontra neste sábado (23/3) com o editor Antonio Marcos Pereira - Chico Barros/Divulgação
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O escritor pernambucano Bernardo Brayner sempre brincou com os pontos sombrios da ficção. A partir de 2008, começou a criar um catálogo de resenhas de obras literárias no blog Livros que Você Precisa Ler. Ali, apesar de destacar a trajetória dos autores, dar nome aos tradutores e mostrar trechos e a capa dos volumes, ele estava criando um catálogo de obras que nunca existiram, exceto através dessa leitura imaginária (e imaginativa) do autor.

Após publicar o conto Um Animal Estranho (E-Galáxia) e o ensaio Nunca Vi as Margens do Rio Ybbs (Zazie), Bernardo agora prepara uma nova obra, ainda sem título, que vai ser o tema do encontro Autobreugrafia, em que o autor conversa com o pesquisador e editor baiano Antonio Marcos Pereira. Os dois se encontram neste sábado (23), a partir das 17h, na unidade do Parnamirim do Café Castigliani, com entrada aberta ao público. O projeto de publicação do livro tem apoio do Funcultura.

“Conheci Antonio Marcos Pereira há uns 15 anos, no extinto Orkut. Trocávamos referências literárias em uma comunidade que fundamos nessa rede social e depois no Facebook. Então, sua escolha como editor do material aconteceu naturalmente”, conta o escritor. “A obra nasceu de certa forma também nas redes sociais. Eu já escrevia um blog que privilegiava a imaginação e tentei usar as redes sociais como um diário que amarrava essa imaginação com a coisa típica da narrativa do eu, que é característica da internet. A ideia era poder juntar tudo isso. A bolsa permitiu que virasse livro.”

Autobreugrafia seria o nome da obra, mas terminou apenas como título do encontro entre os dois – o termo é uma junção das palavras autobiografia e breugrafia, o método de exame criado pelo médico Manoel de Abreu nos anos 1930 para diagnóstico de e doenças pulmonares. A base para a obra é o texto de Bernardo Autobiographie, publicado na revista alemã Alba, que relata uma “biografia em negativo”.

NÃO-MEMÓRIA

Apesar de ainda estar em processo de escrita, o livro deve misturar ficção, memória e ensaio – elementos que Bernardo tem explorado na sua obra, diluindo os limites entre eles. Além isso, a obra se volta para as lembranças pequenas do passado. “Mergulhar nessas memórias foi prazeroso, assim como a discussão do material com Antonio Marcos. Georges Perec, logo no início do seu livro W ou a Memória da Infância, escreve que não tem nenhuma memória da infância. Como a ideia não era escrever uma biografia tradicional eu pude trabalhar com a não-memória. A ausência se tornou o principal personagem desse livro”, aponta o autor.

Bernardo ainda cita o autor americano Leonard Michaels, que dizia que, na escrita, “minha presença e minha ausência se encontram em tensão” e que “essa tensão se torna mais extrema quando escrevo sobre mim”. “Perceber essas forças foi interessante e enriquecedor. Em tudo o que escrevo a minha memória de leitor está impressa. Acho que escrevo também uma história invisível das minhas leituras”, define o autor pernambucano.

Além de amigo de longa data, Antonio Marcos Pereira também atua como co-editor na Papéis Selvagens, que deve publicar outro livro de Bernardo: Tudo É Grande Demais para a Pobre Medida da Nossa Pele. Segundo o autor, o bate-papo entre os dois vai ser descontraído. “A ideia é uma roda de conversa informal sobre o processo de construção do manuscrito. Vamos comentar as referências, o processo de edição e ler alguns trechos”, adianta.

 

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