Frevo

Prefeitura do Recife deixa de realizar concurso de frevo

Compositores também sofrem com não recebimento de direitos autorais

AD Luna
AD Luna
Publicado em 07/12/2012 às 9:52
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Em entrevista coletiva concedida anteontem em razão do reconhecimento do frevo como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco, o prefeito João da Costa exaltou o trabalho realizado pela administração petista, durante os últimos 12 anos. No entanto, justamente no ano desse importante feito, a prefeitura deixou de organizar o Concurso de Música Carnavalesca do Recife, criado para estimular compositores de maracatus, caboclinhos e, claro, frevo.

“Hoje (ontem), quando saí de casa, recebi tantos parabéns por essa nossa conquista internacional que me senti até um pop star”, relatou com alegria o maestro Ademir Araújo, Formiga. Mas, por outro lado, lamentou: “Me sinto esquecido pelo concurso não ter sido realizado. Isso é um grande contrassenso”. Para o maestro Formiga, o frevo não deveria ser visto apenas como evento sazonal, mas como ação social. Além de tocar nas rádios fora da época do Carnaval, poderia ser mais utilizado em ações educacionais.

Outra queixa se dá no campo dos direitos autorais. De acordo com informações do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), há processos contra a prefeitura do Recife por inadimplência. A administração municipal não estaria repassando regularmente à entidade valores referentes à execução pública de músicas carnavalescas. Com isso, o Ecad ficaria impossibilitado de transferir esses ganhos a sociedades arrecadadoras responsáveis pelo pagamento direto aos compositores.

Uma das prejudicadas com tal situação é Maria José Barbosa, viúva do maestro Capiba, falecido em 1997. Apesar de as músicas do seu antigo companheiro serem tocadas nos diversos polos do Carnaval do Recife e de outras cidades pernambucanas, ela relata que os valores recebidos diminuem progressivamente. “Vai chegar um tempo em que não vou receber mais nada. A preocupação não é só comigo, mas com todos os outros compositores”, lamenta dona Zezita.

Para Marcia Xavier, gerente da filial Pernambuco da UBC (União Brasileira dos Compositores), entidade responsável pelo repasse dos direitos autorais de Capiba, a palavra de ordem não só para a Prefeitura do Recife como para todos os outros governos municipais e estaduais deveria ser “conscientização”. “A festa só acontece porque a música é a mola propulsora do evento (Carnaval), e considero uma injustiça que os autores das obras que tanto alegram a multidão não sejam devidamente remunerados”, critica.

A reportagem procurou o prefeito do Recife e o presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife, André Brasileiro, que estã em Paris, mas até o encerramento desta edição eles não haviam se pronunciado a respeito da não realização do Concurso de Música Carnavalesca do Recife e sobre os repasses de valores referentes à execução pública de obras de compositores de frevo.

Leia mais no Caderno C desta sexta (7).

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