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Los Sebosos dão cadência mais lenta a Ben Jor

Show do Baile Perfumado, sábado, ganhou a plateia desde antes de começar

Bruno Albertim
Bruno Albertim
Publicado em 26/08/2013 às 8:37
Foto: Edmar Melo/JC Imagem
Show do Baile Perfumado, sábado, ganhou a plateia desde antes de começar - Foto: Edmar Melo/JC Imagem
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O Baile Perfumado já tinha aquela densidade de terça-feira Gorda nos Quatro Cantos de Olinda quando Jorge du Peixe soltou a voz – grave, limitada e elegante – para dar início ao primeiro show oficial de Los Sebosos Postiços. Na plateia, a “brodagem” mandava lembranças ao início da década de 1990, quando os meninos da Nação Zumbi faziam as despretensiosas Noites do Ben no Recife Antigo. Ali, surgia o embrião para o que viria ser esse disco/show com recriações de Jorge Ben de antes do Jor.
   
Com atraso de cerca de 40 minutos provocado, sobretudo, pela inabilidade da produção de fazer rapidamente a troca dos ingressos comprados pela internet, o show começou quando faltavam 20 para uma da manhã. Antes, os DJs da Noite Cubana, do Alto Bela Vista, fizeram as honras da pista.
   
O show, para além do grande bailinho benjorgiano que foi, serviu, mesmo, para comprovar como o velho líder da Banda do Zé Pedrinho é, mais que um nome, uma escola na música pátria. Nas versões de Du Peixe e companhia, os temas originais perdem parte da sensualidade para ganhar traduções mais austeras, um ou outro acento ligeiramente psicodélico, com a premissa do rock’n’roll. Saem a sensualidade da cuíca e a doçura do violão, entram os naipes de sopro à big bands, bateria mais marcadas, os riffs hipnóticos de Lúcio Maia.
   
Sem o poder catártico de uma apresentação da Nação Zumbi, o show começou como um recital reverente de um Du Peixe sentado, centrado e explorado o mais grave que pode de sua voz de apenas duas notas. Só lá para o final, com temas como Rosa, menina Rosa, Zumbi e Os alquimistas estão chegando ele levantou para atiçar a audiência, numa noite onde o som teve dificuldade de preencher com potência todos os cantos do pavilhão de acústica irregular. Como fizeram no Circo Voador, do Rio, fecharam a noite com uma versão apenas instrumental de Je t´aime, ma non plus, de Serge Gainsbourg. A plateia, contudo, estava ganha antes de qualquer performance.

Difícil, foi entrar. “Cheguei por volta das 22h30, para trocar meu ingresso com tranquilidade e o guichê estava ainda fechado. Depois que abriu, fiquei ainda 40 minutos na fila, que só fazia crescer”, disse a psicóloga Fernanda Duarte. Quando, por volta de meia-noite, começou uma pequena chuva, o público pressionou e a organização acabou liberando a entrada de quem tinha apenas o voucher da compra feita no site Eventick. (B.A.).

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