MOSTRA DE MÚSICA

Primeira edição da Mimo em Paraty é sucesso

O tecladista americano Herbie Hancock e o grupo português Madredeus encantaram o público

Marcelo Pereira
Marcelo Pereira
Publicado em 26/08/2013 às 11:06
Beto Figueiroa
O tecladista americano Herbie Hancock e o grupo português Madredeus encantaram o público - Beto Figueiroa
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PARATY - A banda portuguesa Madredeus fechou a programação musical da primeira edição em Paraty (RJ) da Mostra Internacional de Música em Olinda, iniciada na sexta-feira, na Igreja N. Sra. dos Remédios, pelo multinstrumentiasta alemão Stephen Micus. Nesta semana o festival aporta em Ouro Preto (MG) (de 29 a 1 de setembro), e finalmente Olinda, de 2 a 8 de setembro.

Embora a música atraia a maior parte do público, a Mimo congrega diversas ações, que vão de oficinas, com artistas que vieram participar do festival, como palestras, uma eclética mostra de filmes, que tem a música como tema e a exposição Mimo 10 anos, do fotógrafo Beto Figueroa.

A programação de Paraty teve o tecladista americano Herbie Hancock como a atração internacional mais conhecida . O veterano jazzmea tocou para a torcida, com seus temas mais conhecidos, e o acompanhamento de uma usina de força com um baixista africano James Genius, o baterista Vinnie Colaiuta (uma lenda do instrumento, com um currículo quilométrico, com destaque para Frank Zappa), e ainda o indiano Zakir Hussain na tabla.

Pouco acostumados a shows gratuitos de músicos da estatura de Hancock, um grupo de turistas franceses custaram a acreditar que era o ex-integrante da banda de Miles Davis que estava no palco. Brasileiros que vieram conhecer cidade histórica, exultaram com a programação de concertos gratuitos. Lotaram os três os shows acontecidos na praça Matriz. E permaneceram na praça durante o show de Bnegão e os Seletores de Frequencia, logo em seguida a Herbie Hancock.

Aliás, todos os concertos foram concorridos. Na abertura, com Stephen Micus quem não pegou senha para ter acesso à igreja Matriz N.Sa. dos Remédios, reclamava, e teve que se contentar em vê-lo no telão, ao lado. A programação permanece bastante balanceada entre erudito, o jazz e o popular. No sábado, aberto pelo Duo Milewski, já bem conhecido da Mimo, por exemplo, um trio formado por Rosana Lanzelotte (cravo), Caito Marcondes (percussão), e Luiz Leite (violão) fizeram um concerto didático sobre a vida e obra de Ernesto Nazareth, impecável. Até o show em que João Bosco celebra 40 anos de carreira, teve o jordaniano Rum Tarek Al Nasser, que da França acrescenta um toque moderno na música tradicional árabe. Invertendo inclusive os papeis.

Cubanos, maestros de big bands em pérolas kitsch, a exemplo de Caravan de Duke Ellington, em que ritmos latinos barra recebiam condimentos árabe. Rum Tarek faz o contrario. Com músicos da Orquestra Jovem de Barra Funda, ele fundiu música árabe à latina, e fez a plateia dançar. Muita gente chegou no meio do show. Foram ver Olho nu, o badalado documentário de Joel Pizzini sobre Ney Matogrosso, que esteve em Paraty, e prestigiou a exibição.

MandolinMan, e Madredeus foram as atrações finais da Mimo Paraty. O primeiro, faz música folk belga, um quarteto com quatro bandolins, o segundo, embora não toque no rádio brasileiro (como de resto, toca muito pouco até em seu país, Portugal), tem público certo e sabido. Trilhas de filmes, de novelas brasileiras, uma cantora extremamente talentosa e carismática, Tereza Salgueiro (que deixou a banda tem alguns anos), fazem da Madredeus ainda a banda mais conhecida de Portugal mundo afora, apesar de só ter hoje dois integrantes da formação original.

OLINDA

Com exceção do americano Herbie Hancock, e dos portugueses da Madredeus, as mais interessantes atrações da Mimo 2013, estarão em Olinda. O Irrequieto Macalé, ao vivo e em Jards, documentário de Erick Rocha; Olinda terá ainda o trombonista Raul de Souza, que chegou a morar na cidade nos anos 80, e o pianista maior Nelson Freyre, que abriu a Mimo em sua edição inaugural .

Imperdível, pela possibilidade de assistir ao novo jazz que se fermenta atualmente, é o cubano Omar Sosa, num concerto inspirado no álbum Kind of blue de Miles Davis, e o francês Guillaume Perret e & Electric Epic, que leva à frente o jazz fusion, muito improviso e guitarra pesada. E uma programação extremamente variada, que tem de Carlos Malta, a Gilberto Gil, mas a Orquestra de barra mansa, mais o Nouvelle vague. Enfim, música para todos os bons gostos, fórum,de debates, wrokshops e uma farta programação de cinema.

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