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As novas apostas do Rec-Beat fazem shows nesta sexta no Estelita

Bandas Pé-Preto e Sem Peneira Pra Suco Sujo dividem o palco com Aninha Martins. Grupos dialogam entre si pelos temas abordados nas músicas

Valentine Herold
Valentine Herold
Publicado em 07/02/2014 às 7:00
Foto: Victor Juca/Divulgação
Bandas Pé-Preto e Sem Peneira Pra Suco Sujo dividem o palco com Aninha Martins. Grupos dialogam entre si pelos temas abordados nas músicas - FOTO: Foto: Victor Juca/Divulgação
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Dois primos musicais, daqueles distantes, que nunca se viram, mas acabam por compartilhar características genéticas parecidas, vão se encontrar hoje em uma noite que promete ser de peso sonoro e de cunho social. O cenário de encontro é o Estelita e os protagonistas da história, as bandas Pé-Preto e Sem Peneira Pra Suco Sujo, duas promessas da cena musical pernambucana, convidados para a primeira edição da festa Rec-Beat Apresenta, que tem como principal atração a cantora Aninha Martins, uma das atrações do polo alternativo do Carnaval.

Pé-Preto é fortemente carregadas de funk dos anos 1970 e afrobeat e Sem Peneira Pra Suco Sujo faz amálgama de rap e ritmos genuinamente brasileiros. Os grupos poderiam estar no festival Rec-Beat, se a grade de programação do Cais da Alfândega no Carnaval fosse mais elástica.

Apesar de ritmicamente bem distintos, Pé-Preto e Sem Peneira... trazem em suas músicas as marcas de um engajamento político e ideológico firme. A faixa Galo véi, de Pé-Preto deixa isso claro aos bons entendedores das metáforas. “E a galinha só emagrecendo (...) Cantar todo dia, cantar toda hora, começa mais cedo, termina mais tarde”, dizem os versos da canção, fazendo alusão ao termo “matar uma galinha”, que significa aceitar um pequeno trabalho, tocar em barzinhos, para poder pagar as contas. 

“Escrevi essa música depois de um discussão com o dono de um bar onde eu tocava. Não dava mais”, diz o vocalista Felipe Niero sobre o afrobeat bem marcado pelos trompete, trombone e saxofone de Enok Chagas, Elci Ramos e Gilberto Pontes, da Spok Frevo Orquestra que acompanham os acordes das guitarras de Pedro Sanchez e Carlinhos Carvalho; o baixo de Vinicius “Lezo” Nunes; a bateria de Heverton “Bilisca” Limao; sintetizador de Rodrigo Coelho; e as congas de Júnior do Jarro.

Desde dezembro passado, a banda lança mensalmente um novo single, sempre acompanhado de uma arte. Raoni Assis e Caramuru Baumgartner já firmaram parceria. “Essa relação com a arte visual é algo que queremos levar adiante. O plano é lançar um LP que venha com um encarte e as artes dos singles”, conta Lezo. Não e Estudando Ozôto são outras duas faixas que fazem parte do repertório de hoje.

Formada por MC Anêmico e DJ Novato, Sem Peneira Pra Suco Sujo surgiu em 2011. “Não é só o rap puro, mas uma mistura de várias coisas que a gente gosta, como soul, samba e MPB”, ressalta Anêmico. A dupla lançou ontem, digitalmente, seu primeiro álbum, intitulado Respira e que reúne 16 faixas e diversas participações, como as com Zé Brown e Galo de Souza. 

Outra novidade é que eles tocam agora com dois músicos de apoio, um baixista e um baterista. “Tocar com banda é algo que queríamos há muito tempo. Não acontecia porque no rap é difícil achar músicos que se adequam às nossas batidas”, diz o MC. E quanto ao cenário atual no Recife, ele acredita que o gênero tem crescido muito nos últimos anos. “Antigamente as gravações de rap eram muito feitas em casa. Agora não, sem falar da internet que é uma plataforma que auxilia muito na divulgação do nosso trabalho.”

 

Historicamente atrelado ao gênero, o cunho social dos versos também se faz presente na Sem Peneira..., como na música Desabafo. “Essa característica não pode ser deixada de lado, mas também acredito que o rap não pode mais se prender só a isso. O nosso nome tem a ver com isso. ‘Sem peneira’ é essa mistureba de ritmos”, finaliza o MC.

Aninha Martins, única tração feminina da noite, promete um show feminino e agressivo. O show Esquartejada em um repertório formado em sua grande maioria de faixas autorais e escritas em parceria com artistas como Germano Rabello e Juvenil Silva, da Cena Beto.

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