CULTURA POPULAR

Mestres do coco gravam DVD no Teatro de Santa Isabel

A apresentação acontece nesta quarta (1). Projeto é uma celebração da cultura de raiz

Do JC Online
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Publicado em 01/07/2015 às 6:29
Adeildo Leite/Divulgação
A apresentação acontece nesta quarta (1). Projeto é uma celebração da cultura de raiz - FOTO: Adeildo Leite/Divulgação
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Quatro mestres do coco e um discípulo dos mais engajados na continuidade de uma tradição sobem ao palco do imponente Teatro de Santa Isabel, nesta quarta (1º), no projeto A Matinada. A apresentação, que celebra os mestres da cultura de raiz brasileira, acontece às 19h e resulta na gravação de um DVD que resgata a história e a arte dessas manifestações populares nacionais. O evento é gratuito, com entradas distribuídas uma hora antes do início.

No mesmo palco estarão reunidos cinco poetas do improviso que trabalham as variantes dessa musicalidade: Galo Preto (Patrimônio Vivo de Pernambuco), Zé de Teté, Bio Caboclo, Cícero Gomes e o mais novo deles, com 31 anos, o poeta e músico Adiel Luna. Com patrocínio do Funcultura, a apresentação vai visitar o coco improvisado através da geografia e das suas origens. O material vai ser somado a um minidocumentário sobre o ritmo, com entrevistas e imagens de cada um dos mestres na sua região. O resultado será transformado em DVD com apoio da Prefeitura do Recife.

Segundo Adiel, o improviso é uma tônica da sua produção, inclusive através do coco. “A manifestação de improviso vem sumindo e é uma linha extremamente complexa. Lembra um pouco a cantiga de viola, com uma métrica para se improvisa em cima”, conta o poeta. O projeto nasceu da preocupação com a sobrevivência do formato. “Eu sempre estive com mestres mais velhos, alguns já faleceram. Eu ficava muito inquieto com isso, porque as pessoas não conheciam mais tanto o coco de roda, só sabem das linhas da região metropolitana ou do Coco Raízes de Arcoverde”, explica.

Adiel encontrava os mestres durante os eventos. “Biu Caboclo já cantava com meu pai. Zé de Teté cantou em Limoeiro para meu avô, que promovia muita cantoria de viola. Galo Preto conheci há uns quatro anos cantando no Rec-Beat. Ciço Gomes conheci também há uns quatro anos, quando cantamos em Goiana, Brasília e Chapada de Veadeiros”, relembra o músico.

“Eu queria juntar todos eles. Vi isso acontecer várias vezes em sambadas: seis ou sete cantadores de uma só vez. Para muitas pessoas, isso é impensável”, garante. Para Adiel, o coco hoje tem recebido uma atenção um pouco maior. “As pessoas têm ido para sambadas, mas ainda conhecem pouco. O que pegam é coco de Olinda, do litoral, que é uma linha mais balançada e limitada”, descreve. Além disso, uma das dificuldades é de fazer o coco ser reconhecido pelas políticas culturais. “Mesmo com mestres jovens e antigos, é difícil garantir uma presença no ciclo junino, por exemplo. Neste ano, em Olinda, não teve coco. A gente não consegue também alterar o patamar dos cachês pagos para mestres e grupos”, reivindica.

Mesmo que o palco escolhido para o encontro, o Teatro e Santa Isabel, não seja o costumeiro para sambadas, Adiel não vê problema. “Algumas pessoas acham que a manifestação tem que ser em um lugar definido, porque só ali tem força, ou que o mestre tem que ser de uma condição social e geografia específica. Isso para mim prejudica a cultura de raiz, engessando-a, impedindo-a de dialogar com o tempo e com as tecnologias”, opina Adiel. “Da mesma maneira que a gente vai estar no teatro, vamos ao terreiro, ocupando qualquer palco do Estado, do País e do mundo.” 

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