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Coquetel Molotov BH destacou força da música alternativa brasileira

Festival pernambucano conquistou público mineiro em sua primeira edição no Sudeste

GGabriel Albuquerque
GGabriel Albuquerque
Publicado em 17/10/2016 às 7:01
Foto: Mídia Ninja/ Divulgação
Festival pernambucano conquistou público mineiro em sua primeira edição no Sudeste - FOTO: Foto: Mídia Ninja/ Divulgação
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Depois da etapa inicial em Belo Jardim, o No Ar: Coquetel Molotov desembarcou no último sábado no centro cultural Centoequatro em Belo Horizonte, Minas Gerais. Em parceria com a produtora Quente, o festival realizou sua primeira edição na região Sudeste (já passou por Salvador duas vezes, onde retorna este ano) e, novamente, apontou a força e a pluralidade da música independente do Brasil.

Com ingressos esgotados, o festival começou por volta das 16h e seguiu até às 3h da madrugada. Logo na abertura, no Palco Cine (um pequeno cinema dentro do Centroequatro), o quinteto belo horizontino Pequeno Céu fez um show surpreendente ao mostrar sua mistura instrumental de jazz, post rock e afrobeat. No mesmo espaço, o Constantina, ícone da cena de Minas, na estrada desde 2003, apresentou uma série de novas composições que estarão em seu próximo álbum. Músicas minimalistas, que flutuam por espaços vazios e criam uma ambientação trabalhada e imersiva. O público lotou a sala e se deixou levar pelo clima, escutando tudo em atencioso silêncio.

No palco principal, Ava Rocha, apoiada pela sua banda de peso (membros do Bemônio, Abayomy Afrobeat Orquestra, entre outros) explorou as possibilidades oníricas de um canção exploratória. Na sequência vieram os californianos do Deerhoof, com músicas repletas de mudanças de andamentos, emaranhados ruidosos de guitarras e baixo e uma bateria explosiva. Mesmo que The Magic, seu novo álbum, não seja um de seus melhores trabalhos, a banda ao vivo é monstruosa, certamente o show mais visceral do festival. Eles também se apresentam no Molotov de Recife, próximo sábado (22). Imperdível.

O encerramento ficou por conta dos goianos da Boogarins, que contaram com a participação do cantor e compositor mineiro Vitor Brauer na guitarra. O repertório incluiu tanto músicas da Lupe de Lupe (banda de Vitor, atualmente em hiato) e da Boogarins, que serviam de base para improvisações coletivas catárticas. Tocavam no limite, e isso não é uma metáfora: as músicas conduziam a um clímax que transmitiam a sensação de que eles estavam nadando contra todas as correntes. Ao mesmo tempo, a sua natural descontração imprimia um tom de diversão e leveza ao show – equilíbrio que poucas bandas conseguem.

Principais hits do Boogarins, Doce e Lucifernandis ficaram de fora do setlist. Em seu lugar, entraram três músicas da Lupe: Fogo Fátuo, Carnaval (uma spoken word de nove minutos) e, fechando o show, Eu Já Venci. Ao lado de um dos principais nomes da música pop brasileira atual, Vitor Brauer, rouco, entoava: “Sem deuses e sem mestres/ A nossa atitude fez com que a gente pudesse/ Ser do jeito que quisesse/ Longe do dinheiro e da cultura/ Contrariando suas tradições e suas preces”.

Invasão Pernambucana

Na mini-invasão pernambucana, Jam da Silva envolveu o público com o som percussivo do disco Nord e Catarina Dee Jah, como MC Ririca, contagiou pelo bom humor do projeto. Mas foi Sofia Freire quem conquistou o público mineiro em um show no Palco Cine. Um ano depois do lançamento de Garimpo, seu primeiro álbum, ela demonstra um domínio maior das canções (as sobreposições de camadas vocais) e do jogo performático de palco. 

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