COQUETEL MOLOTOV

A "música de sonho e fantasia" do francês Moodoïd

Guitarrista do Melody's Echo Chamber, Pablo Padovani se apresenta no Coquetel Molotov com seu projeto solo

GGabriel Albuquerque
GGabriel Albuquerque
Publicado em 22/10/2016 às 6:00
Foto: Fiona Torre/ Divulgação
Guitarrista do Melody's Echo Chamber, Pablo Padovani se apresenta no Coquetel Molotov com seu projeto solo - FOTO: Foto: Fiona Torre/ Divulgação
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Melody’s Echo Chamber, projeto musical de Melody Prochet, ganhou notoriedade em 2012 ao lançar um álbum produzido por Kevin Parker, do Tame Impala. O francês Pablo Padovani é guitarrista do Melody’s, mas seu trabalho vai além. Em sua primeira passagem pelo Brasil, ele mostra no Coquetel Molotov a psicodelia sinestésica do Moodoïd.

JORNAL DO COMMERCIO –Você é guitarrista do Melody’s Echo Chamber e tem também o trabalho como o Moodoïd. Como surgiu esse projeto solo? Quais os conceitos e referências?

PABLO PADOVANI – Na verdade o Moodoïd existia antes de eu entrar no Melody como guitarrista. É um projeto íntimo, muito pessoal, onde eu me sinto à vontade para expressar minhas emoções, meu relacionamento com as pessoas que eu amo. O primeiro álbum do Moodoïd, Le Monde Möö, é o conjunto de todas as primeiras canções que eu escrevi na minha vida. Há algo ingênuo, cândido nelas. É também, musicalmente, uma espécie de meu tributo ao rock progressivo e música glam, mas através do meu prisma pessoal, que é definitivamente pop. Estou também muito ligado em recursos visuais, maquiagem, cores brilhantes. E tem as meninas! Esses elementos juntos é o Moodoïd.

JC – Sua música explora muito as texturas e ambiências sonoras, tanto no Melody como no Moodoïd. Por que você está tão interessado nisso?

PADOVANI – No nosso tempo, há muitas culturas musicais diferentes e eu cresci ouvindo música de todo o mundo. Meu gosto musical é extremamente eclético. Eu ouço jazz, música oriental, rock, música repetitiva, Krautrock, progressivo. Quero que minha música seja uma mistura de tudo o que eu mais gosto em cada um delas. Foi esta ideia que eu tinha em mente com o meu primeiro álbum. Você pode ouvir o saz (instrumento turco), arranjos jazzísticos de saxofone, guitarras de rock e vozes de gueixa. É uma música de sonho com muitas fantasias neles.

JC – O EP Moodoïd (2013) foi produzido por Kevin Parker, do Tame Impala. Como foi essa colaboração? E por que não o chamou para trabalhar no álbum Le Monde Möö (2014)?

PADOVANI – Kevin mixou este primeiro EP, ele não produziu. Eu o fiz, com Adrien Pallot. Mas a nossa colaboração era incrível e eu me sinto tão sortudo por Kevin entender o que estou tentando fazer. Eu conheci ele pelo Melody e ele amou minha música Je Suis la Montagne, ele imediatamente concordou em mixar todo o EP. Kevin é realmente impressionante quando trabalha, ele faz tudo muito rapidamente, com muito pouco equipamento. Imediatamente, a música soa bem. É realmente impressionante.

Quando chegou a hora de mixar o meu álbum de estreia, ele estava simplesmente muito ocupado com seu próprio álbum de modo que ele não poderia trabalhar no meu, mas ele ainda ajudou. Por algumas razões, o mix de minha canção Yes & You não estava funcionando. Nós tentamos diferentes mixes e algo ainda estava errado, então liguei para Kevin para o resgate. Eu sabia que Yes & You era uma de suas favoritas. Ele mixou e salvou a música”.

 

NOVA MÚSICA FRANCESA

JC – A mais forte referência da música francesa que temos aqui no Brasil é a "chanson française". Você vê o seu trabalho como uma renovação, uma disrupção ou como uma música completamente diferente em relação à “chanson”?

PADOVANI – Quando eu comecei O Moodoïd, tinha o rock inglês e a música neopsicodélica em mente, principalmente. E eu cantava em francês só porque eu sou francês e meu inglês é muito ruim. Na verdade, eu não escuto muito a clássica “chanson française” a que você se refere, não é de onde eu vim musicalmente e nem é minha inspiração. O fato é que, no momento, na França, há uma verdadeira renovação na música com uma cena de jovens músicos super criativos que cantam exclusivamente em francês, mas sem uma nostalgia particular pela música do passado, é apenas algo novo. É muito bom, muito emocionante ser parte disso.

JC – Sua música é muito sinestésica e você usa um figurino especial no palco. Filmes e artes visuais são uma inspiração?

PADOVANI – Eu amo grandes shows, teatro e personas de palco que são carismáticos. Sinto que um show tem que ter uma qualidade mágica. E maquiagem e roupas especiais fazem parte da experiência geral do Moodoïd. A parte visual é muito importante para mim, tanto quanto a música em si. Eu também sou diretor de cinema, então sempre tenho uma abordagem visual das coisas, é algo que está em mim. Eu sou o diretor dos clipes do Moodoïd (e outros!), o que permite expandir meu universo. Eu acredito fortemente que a dimensão visual ajuda as pessoas a viajar na sua música.

JC – Você está trabalhando em um novo álbum? Vai tocar algumas músicas novas na turnê brasileira?

 PADOVANI – Eu estou trabalhando em meu próximo disco, sim. É inspirado pelo pop e música de dança clássica. Dinosaur L, de Arthur Russell (compositor e cellista americano) é uma enorme inspiração. Todas as músicas foram gravadas ao vivo em fita em agosto passado e agora estou trabalhando na produção com um produtor francês super-talentoso. estamos de algum modo “remixando” as fitas ao vivo que eu fiz. Estou super animado com essas novas músicas, e da forma como trabalhamos com esse produtor também. É um sonho tornado realidade! Vamos tentar tocar uma nova canção no Brasil!

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