MÚSICA

Coquetel Molotov apresenta panorama diversificado do pop alternativo

Maratona de shows na Coudelaria Souza Leão começa às 15h e segue pela madrugada

GGabriel Albuquerque
GGabriel Albuquerque
Publicado em 22/10/2016 às 5:00
Foto: Divulgação
Maratona de shows na Coudelaria Souza Leão começa às 15h e segue pela madrugada - FOTO: Foto: Divulgação
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O festival No Ar: Coquetel Molotov chega à sua 13ª edição mantendo a tradição de apresentar um panorama diversificado da música pop alternativa nacional e internacional. A partir das 15h, a Coudelaria Souza Leão, na Várzea, recebe uma maratona de shows que destaca artistas locais, nacionais e internacionais.

O ponto forte do festival não é apenas a oportunidade de assistir a novos nomes da música, mas especificamente a chance de ouvi-los apresentar um novo trabalho. É o caso da cantora paulista Céu, que passou diversas vezes pelo Recife mas agora retorna com um novo álbum: Tropix, lançado em março. E este não é somente um novo trabalho, como a reinvenção de sua sonoridade, afastando-se do reggae e afrobeat e abraçando a música eletrônica.

Essa mudança foi consequência de uma vontade própria e da colaboração com Pupillo (bateria) e Hervé Salters (teclados e programações), os produtores do álbum. “Os beats, vamos dizer, um pouco mais pop, foi uma ideia que eu estava perseguindo, independente da entrada de Hervé. Era uma coisa que estava na minha cabeça, que tinha vontade de executar, e achei que ele faria perfeitamente junto com Pupillo. Tem cordas, tem a tamba, instrumento que Hélcio Milito (baterista do Tamba Trio) criou e Pupillo resgatou. Gosto de brincar com coisas eletrônicas, mas nunca tiro um pé do passado, nem do Brasil, a bagagem com que me sinto familiarizada”, diz a cantora.

No âmbito do rock, destaca-se o trio paulista Rakta (bateria, baixo e teclado, sem guitarras). A banda divulga III, o seu segundo álbum (apesar do título), onde parte de arquétipos do post punk oitentista para criar uma atmosfera escura e mística. Outro destaque é a carioca Ventre, um power trio clássico de rock cujas letras melancólicas contrastam com a forma explosiva das canções.

Hugo Noguchi, baixista da Ventre (e também do grupo instrumental SLVDR), observa: “Isso o que a galera chama de ‘rock’, com muitas aspas, não dá tanta importância pro grave e eu via muito isso em termos técnicos, quando mixava as gravações. Não é só porque sou baixista, mas eu ouvia música eletrônica, dub e eu via que o público se trocava mais com o corpo e menos com a mente”, analisa. “Eu comecei a me ressentir de não ter isso (o som grave) nos lugares que eu tocava. E é uma troca que eu faço muita questão de fazer. Por mais que a música seja introspectiva no conteúdo, na forma não é. E isso ajuda muito o show da gente. É fácil colar num show de rock e ficar meio cabisbaixo, mas a gente tem a ver com juntar isso a uma catarse coletiva”, aponta Noguchi.

Há ainda os goianos da Boogarins, que acabaram de lançar o single Elogio à Instituição do Cinismo. “É uma canção nova que provavelmente pode estar no próximo CD. É um norte, mas daqui pra lá pode mudar tudo”, comentou o vocalista Dinho em entrevista na TV JC.

Benke Ferraz e Dinho, respectivamente guitarrista e vocalista da Boogarins, participam ainda do show de Tagore. O pernambucano lança no palco do Molotov Pineal, o seu segundo álbum, lançado pelo selo Novíssima Música Brasileira, da Sony Music. O título é uma referência a uma glândula do cérebro humano que fica entre os olhos, em algumas culturas holísticas, está ligada à capacidade intuitiva e à expansão perceptiva. Daí vem sua nova abordagem psicodélica, dessa vez menos regionalista e mais pop global – menos Ave Sangria e Lula Côrtes, mais Tame Impala e Unknown Mortal Orchestra, como se ouve nos singles Mudo e Pineal.

PERNAMBUCANOS

Além de Tagore, outros pernambucanos apresentam trabalhos inéditos no festival, como o cantor, compositor e produtor Barro, da Bande Dessinée, que mostra o disco solo Miocárdio. Ele pensa em um pop cosmopolita, que parte do contexto musical local mas bebe de várias outras fontes. Músicas como Piso em Chão de Estrela e Mata o Nego, atualizam o xote e o coco com leves programações eletrônicas e poética que foge do saudosismo.

“Querendo ou não, Dessinée tinha um recorte de realidade. E, como um recorte, mostra uma parte do processo que na verdade é bem maior. Eu toco rabeca, já toquei em banda de forró pé de serra e quis trazer todos esses elementos que carrego comigo”, comenta Barro, que no show de hoje terá participação da cantora Juçara Marçal, do Metá Metá, que canta em Nouvelles Vagues.

À tarde, antes dos shows maiores, o Palco Aeso recebe os pernambucanos O Barco, Projeto Sal, Inner Kings e Diablo Angel – esta, com o disco Fuzzled Mind, parte depois para a sua primeira turnê pelo Nordeste. À noite, no Som na Rural, apresenta-se o rapper de Belo Jardim PRK, que foi selecionado em um edital para artistas do interior. E o encerramento é com o Phalanx Formation, duo de pop eletrônico formado por Enio Damasceno e Hélder Bezerra, ex-membros da Sweet Fanny Adams.

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