LANÇAMENTO

Tibério Azul em estado de pureza líquida

Cantor e compositor recifense acaba de lançar 'Líquido', segundo álbum solo no qual poetiza a quebra da rigidez cotidiana

Nathália Pereira
Nathália Pereira
Publicado em 19/02/2017 às 7:00
Foto: Fabiano Cafure/Divulgação
Cantor e compositor recifense acaba de lançar 'Líquido', segundo álbum solo no qual poetiza a quebra da rigidez cotidiana - FOTO: Foto: Fabiano Cafure/Divulgação
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“Desculpa, mais peregrino que o rio não conheço. As ondas vão, vão nessa ida sem fim. Há quanto tempo a água tem esse serviço?”. Versos do escritor moçambicano Mia Couto no conto Os Pássaros de Deus abrem porta para a bela participação do carioca Pedro Luís em Nem a Pedra é Dura, uma das nove faixas de Líquido – Ou A Vida Pede Mais Abraço que Razão, álbum que o pernambucano Tibério Azul lançou em plataformas online no último dia 10.

No segundo disco da carreira solo, iniciada em 2011 com Bandarra – Ou O Caminho que Vai Dar no Sol, a poesia de Tibério versa mais sobre o outro. Parece que a água, elemento escolhido para metaforizar o desejo de quebrar a rigidez dos dias, fez com que o artista cruzasse mais claramente a linha do autoconhecimento para saber do lado de fora. “Inspirado nas manhãs nubladas de Recife”, o trabalho, no entanto, é parceria que ganhou produção de Yuri Queiroga e participação também de Clarice Falcão, Vítor Araújo, Vinícius Sarmento, Zé Manoel e Rodrigo Samico.

“Ele é sobre o estado líquido, mais que sobre o elemento água. É o contraponto ao concreto”, explica Tibério, para quem o processo de criação musical conversa intimamente com o literário. “Eu faço um disco como quem escreve um livro. Defino a temática, a lógica do quero dizer e começo a compor a partir daí. Não sei se esse modo de criar me prende ou liberta, mas é uma forma de construção que dá muito tesão. Minhas conversas de bar passam por isso, essa coisa minuciosa, de ficar elucubrando esse processo”.

Não menos solar que Bandarra, no entanto, o novo registro capricha nos arranjos e na produção, com destaque para os metais marcantes de Nilsinho Amarante, Gilmar Black e Fabinho Costa, e o piano certeiro de Vitor Araújo. Soa mais sóbrio, o que o autor credita à maturidade da obra. “A gente vai se apropriando dos caminhos. Me vejo um artista mais maduro também”, observa.

O primeiro escôo de Líquido acontece dia 17/3, no show oficial de lançamento, no Sesc Pompeia, em São Paulo. Antes, Tibério vem à terra natal para participação no show do músico Igor de Carvalho, terça-feira (21/2), no Terra Café Bar, junto a Silvério Pessoa, Fernando Anitelli e Flaira Ferro. Na Segunda-Feira de Carnaval (27), sobe ao palco montado no bairro da Várzea, cantando de frevos clássicos a versões para algumas de amigos como Siba e Juliano Holanda.

A LITERATURA

Por estar envolto pela literatura desde a banda Mula Manca e a Fabulosa Figura, Tibério faz nascer junto com Líquido, música, o Líquido livro, sob o subtítulo O Homem Que Nasceu Amanhã (Editora Confraria do Vento). Escrito em cerca de seis meses, ele veio pela sensação de que o “estado líquido” não acabava ali. O lançamento, assim como a chegada da versão física do CD, será na segunda metade de março.

“Não sei precisar onde começa um e termina o outro, eles são como um encontro de rios, desatando juntos, apesar de seguirem caminhos diferentes. Ambos têm essa indefinição própria da água”, arremata.

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