Viva Dominguinhos

Cantoria Agreste nasceu sob a inspiração de Dominguinhos

Grupo reúne músicos cujas carreiras se cruzaram com a do mestre

José Teles
José Teles
Publicado em 10/04/2017 às 13:45
foto: Ricardo Labastier/JC Imagem
Grupo reúne músicos cujas carreiras se cruzaram com a do mestre - foto: Ricardo Labastier/JC Imagem
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José Domingos de Moraes, o garanhuense Dominguinhos (1941/2013), continua sendo uma unanimidade nomeio musical, influente e inspirador. Foi pensando nele que o produtor Rafael Moura concebeu o projeto Cantoria do Agreste, um grupo formado por músicos que tivessem Dominguinhos como principal elo de ligação. Sérgio Andrade, da Banda de Pau e Corda, pai de Rafael, se encarregou de arregimentar os integrantes. A ligação de Andrade com Dominguinhos remonta ao início da Banda de Pau e Corda, um dos grupos que renovaram o idioma da música nordestina no início dos anos 70.
Uma amizade reforçada em 1980, quando A banda de Pau e Corda preparava­se para gravar o álbum Nossa Dança: "Zé Milton, que produziu o disco, queria algumas participações, e nós sugerimos Dominguinhos, que aceitou de cara. E mais do que isso, nos presenteou com duas músicas inéditas, Relampejando (com Clésio) e Trens Madrugueiros (com Abel Silva). Daí em diante, nos tornamos amigos, fizemos shows com ele, " conta Andrade.
Marcelo Melo, do Quinteto Violado, não poderia ficar fora do projeto. Nos primeiros anos da década de 70, Dominguinhos foi uma espécie de "sexto violado", a imprensa chegou a anunciar sua entrada no QV, de cujos integrantes ficou amigo quando ainda tocava no grupo de Luiz Gonzaga: "A gente fez, em 1973, o primeiro circuito universitário com Gonzagão, e Dominguinhos era o sanfoneiro dele. Depois, ele começou a viajar com o Quinteto, se revezava na direção do nosso ônibus", lembra Marcelo. Desta amizade ficou, entreoutras coisas, a música Forró do Dominguinhos (faixa do álbum Berra Boi, 1973. Com letra de Gilberto Gil,ela passou a se chamar Lamento Sertanejo.
No entanto, o primeiro convite de Sérgio Andrade foi para o sanfoneiro Gennaro, alagoano criado no Rio,que conheceu Dominguinhos quando estava com 18 anos, no estúdio da CBS: "Foi em 1975, fui gravar com Marinês, e Dominguinhos estava lá. A gente ficou amigos a ponto de sempre que vinha aqui no Recife me convidava logo pra almoçar com ele. Gravei em sete discos dele", conta Gennaro, que tem no currículo onze anos de Trio Nordestino, do qual foi integrante de 1981 a 1992.
Foi Gennaro quem lembrou a Sérgio Andrade o nome do guitarrista João Neto para fechar a formação do Cantoria do Agreste. Garanhuense feito Dominguinhos, João Neto tocou 12 anos com o conterrâneo, a quem conheceu quando tocava com Nando Cordel: "Eu morava em São Paulo, quando soube que Dominguinhos estava precisando de um guitarrista, fui falar com ele e peguei o emprego. Foi uma pessoa que me ajudou muito. Tivemos uma convivência muito próxima, a gente viajava muito, teve vez de a gente passar quatro dias na estrada. Ele conversava muito, contava muitas histórias. Tem muito sanfoneiro por aí, toquei com vários, mas pra mim é como se faltasse alguma coisa neles. Dominguinhos conseguia fazer uma música complexa parecer simples".

CONCEITO


"Rafael, meu filho, pensou neste projeto, o Agreste que liga o Sertão ao Litoral, lembrou­se de
Dominguinhos que, para ele, fazia esta ligação. O grupo é também uma celebração de amigos. Conheço Marcelo Melo, por exemplo, há 45 anos. Ele faz a direção musical e chamou para o repertório músicas de outros autores que também têm esta coisa agreste. Cada um cantará também uma música autoral que o identifique", explica Sérgio Andrade, que se divide entre a Banda de Pau e Corda e a carreira trabalho solo.
Marcelo Melo também ressalta que no Cantoria Agreste ele é um representante do Quinteto Violado: "Quis mostrar os momentos mais marcantes de cada um com Dominguinhos. Eu faço Flor da Água e Mata Branca, Sérgio faz Trens Madrugueiros. Fazemos o Forró de Dominguinhos com Lamento Sertanejo. Cada um agrega valores ao grupo que foi montado sem pretensões de gravar, mas isso não está descartado".
Melo sugere possíveis incursões do Cantoria Agreste por outras searas: "Assim como estamos fazendo Dominguinhos, poderíamos também fazer Jackson do Pandeiro, ou músicas da cultura popular. Montar repertórios que tenham ligações com esta coisa agrestina. A musicalidade da região é muito rica".
O grupo estreou em São Paulo, no Sesc Belenzinho, e já recebeu convite para voltar a São Paulo. O Cantoria Agreste estreia em Pernambuco no Festival Viva Dominguinhos, dia 22 de abril, em Garanhuns: "A Cantoria Agreste surge num momento em que somos bombardeados por coisas de baixo nível, prestigiada pela maior parte da mídia, a gente pode estimular a abertura de mais espaço para artistas que não fazem parte desse tipo música", diz Marcelo Melo

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