SHOW

Valeu a pena esperar pelo Estratosférica de Gal Costa

Show comemorativo da cantora baiana havia sido cancelado por duas vezes

Ernesto Barros
Ernesto Barros
Publicado em 10/04/2017 às 5:00
Diego Nigro/JCImagem
Show comemorativo da cantora baiana havia sido cancelado por duas vezes - Diego Nigro/JCImagem
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Depois de dois adiamentos no ano passado, o recifense estava mais do que ansioso para assistir ao show da turnê Estratosférica, que, desde 2015, comemora os 70 anos de idade e os 50 anos de vida artística da musa baiana Maria da Graça Costa Penna Burgos, a fatal Gal Costa. 

O atraso, porém, acabou beneficiando o encontro amoroso entre o público local e a cantora: fãs de várias gerações – desde as senhoras idosas que viram Gal no auge do Tropicalismo até os jovens que a viram ao vivo pela primeira vez – tomaram todas as poltronas do Teatro dos Guararapes, no Centro de Convenções, na noite do último sábado (8/4).

"MÃO CHIFRADA"

Estratosférica é o nome da canção, assinada pelos pernambucanos Pupillo e Junio Barreto, que dá nome ao 36º disco de Gal Costa. Apoiada por músicos jovens, tanto na produção como no palco, a cantora abriu o show com o rock Sem Medo Nem Esperança, de Antônio Cícero e Arthur Nogueira.

A levada mais enérgica dominou boa parte da apresentação, embora ela, espertamente, tenha pontuado o show com momentos de intimidade. A quebra na linearidade sem dúvida manteve a plateia ligada. Depois de ficar só no palco, quando cantou Acauã, de Zé Dantas, Gal voltou com a “mão-chifrada” do heavy metal e emendou com Cabelo, de Jorge Ben Jor e Arnaldo Antunes.

ANOS 1970

Sem esconder que é um show comemorativo, ela revistou passagens musicais conhecidas de sua carreira, ao contar como conheceu Caetano Veloso em Salvador. A lembrança, claro, remete a Sim, Foi Você, que ela cantou e tocou violão como se ainda tivesse 20 anos. Gal continuou sua viagem no tempo com um saboroso resgate da sonoridade dos anos 1970, com dois clássicos que abriram aquela década: Como Dois e Dois, de Caetano, e Pérola Negra, de Luiz Melodia.

Para confirmar que ainda está em forma, Gal acelerou ainda mais o ritmo na parte final do show, quando as guitarras de Mauricio Fleury (também tecladista) e Guilherme Monteiro ficaram à frente em Estratosférica e Os Alquimistas Estão Chegando, de Jorge Ben Jor.

Em meio a gritos e chamados, o público recifense interagiu com a cantora, que mostrou que seu humor também estava afiado. No bis, Gal fez jus ao nome e todo mundo ficou de pé para ouvir Meu Nome é Gal. O show demorou a chegar ao Recife, mas valeu a espera.

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