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Pioneiros esquecidos do punk, Death promete show de alto nível no APR

Contemporâneos de MC5 e Stooges, o trio Death ficou por anos no ostracismo mas hoje é tida como um pilar do rock pesado

JC Online
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Publicado em 28/04/2017 às 12:29
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Contemporâneos de MC5 e Stooges, o trio Death ficou por anos no ostracismo mas hoje é tida como um pilar do rock pesado - FOTO: Foto: Divulgação
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O festival Abril Pro Rock completa 25 anos e promete uma edição memorável para os amantes do som pesado. Com duas noites de shows no Classic Hall, a programação deste ano abdicou do pop e do espaço à “nova MPB” e focou exclusivamente no rock. São 17 bandas que transitam entre o hardcore, psychobilly, punk e diversas vertentes do metal.

A sexta-feira é o dia mais esperado, tendo como principal atração o Suicidal Tendencies, banda símbolo do punk da costa leste norte-americana nos anos 1980 que retorna aos palcos com um novo álbum e com o reforço do monstro Dave Lombardo (ex-baterista do Slayer).

Um nome menos conhecido é promessa de um show de alto nível: o Death. Quando o festival divulgou sua programação, muitos confundiram o Death com a banda homônima de death metal formada na Flórida pelo guitarrista e vocalista Chuck Schuldiner (morto em 2001). O grupo que sobe ao palco do APR é o legendário trio de Detroit que foi um dos precursores do punk ao usar guitarras raivosas em alto volume em canções afiadas como Politicians in My Eyes.

Apesar de ser contemporâneo e até ter dividido espaço com os icônicos MC5 e os Stooges de Iggy Pop, o Death só foi reconhecido décadas mais tarde. A banda só lançou seu primeiro álbum, For The Whole World To See, em 2009 e três anos depois saiu o documentário A Band Called Death. Só então o mundo conheceu a história e a música dos irmãos Hackney – Bobby (baixo e vocal), Dannis (bateria) e David (guitarra)

Em 1964, aos 12, 10 e 8 anos, os irmãos assistiram ao lado do pai (um pastor batista mas louco por música) o famoso show dos Beatles no The Ed Sullivan. No dia seguinte, como uma mensagem do destino, David encontrou uma guitarra descartada em um beco e começou a aprender a tocar. Bobby e Dannis foram na onda e aprenderam baixo e bateria, respectivamente. Ensaiavam em casa e gravaram as primeiras demos. Porém, sendo de Detroit, o lar da Motown, o trio começou tocando uma mistura de rock com funk e soul sob a influência de bandas como Parliament e Funkadelic. Aos poucos, foram incorporando o som das performances incendiárias de The Who e Alice Cooper.

ANTES DO PUNK, HAVIA O DEATH

Antes de ser apropriado pelo seminal fanzine Punk, a palavra era um xingamento destinado a prostitutas ou rapazes afeminados – o equivalente a “bicha” ou “veado”. “Quando estávamos tocando com o Death de 1976 a 1977 o termo ‘punk’ não era usado ou conhecido pela música. Na verdade, se você chamasse alguém de punk em Detroit em 1975, você teria um dos dois: um olho roxo ou um nariz sangrando. Era um insulto naquela época”, lembra Bobby Hackney.

“O rock nos atraiu, como muitos outros moleques da cidade, porque Detroit já tinha uma grande variedade de Downtown-music, blues, jazz e até country”, explica. Por volta de 1974, as demos da banda chamaram atenção de Clive Davis, presidente da Columbia Records. Ele pediu que a banda mudasse seu nome para algo mais comercial. Os músicos recusaram-se e gravaram por conta própria o compacto Politicians in My Eyes (1976), seu único registro até o disco cheio de 2009 – feito com o guitarrista Bobbie Duncan substituindo David, que morreu em 2000.

No início de abril a banda lançou o single seu novo álbum, Cease Fire. A faixa continua urgência política da iniciada no primeiro compacto da banda, mas agora afirmando o pacifismo em tempos de política armamentismo de Trump. Aos 63 anos, Bobby admite que não esperava ser reconhecido pelo seu trabalho. “Dannis e eu, junto com Bobbie Duncan, estamos vivendo o sonho do Rock and Roll. Meu irmão David previu. É realmente surreal e eu aprecio cada momento. Cease Fire acabou de sair e nós temos muito mais músicas para soltar este ano”, diz animado.

No domingo, a principal atração são os heróis underground do punk inglês Cockney Rejects. Formada em 1978, a banda ficou conhecida por Oi! Oi! Oi! – música que acabou originando o subgênero Street Oi!. Em turnê pela América Latina, a banda vai apresentar uma música uma música para o time da Chapecoense. A homenagem é uma adaptação com letra em português de Goodbye Upton Park, que o grupo lançou no ano passado.

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