Tradição

Nova geração do bom forró segue firme com a tradição

Seguir a tradição iniciada por Luiz Gonzaga é uma tarefa perseguida por nomes da nova geração como Raphael Moura, Luizinho de Serra e Henrique Brandão

JEFFERSON SOUSA
JEFFERSON SOUSA
Publicado em 30/06/2017 às 16:30
(Foto: Divulgação)
Seguir a tradição iniciada por Luiz Gonzaga é uma tarefa perseguida por nomes da nova geração como Raphael Moura, Luizinho de Serra e Henrique Brandão - FOTO: (Foto: Divulgação)
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O ciclo junino vai chegando ao fim e o forró sobreviveu a mais uma investida em seu território – de sertanejos, DJs de música eletrônica e forrozeiros estilizados ou esticados. Seguir a tradição iniciada por Luiz Gonzaga e levada adiante por Dominguinhos e Flávio José, renovando o gênero, é uma tarefa perseguida por nomes da nova geração como Raphael Moura, Luizinho de Serra e Henrique Brandão.

O forró não para

Raphael Moura, 30 anos, recifense, é um cantor e compositor que iniciou sua carreira profissional há pouco mais de três anos e vem conquistando destaque na área. O músico lançou em 2017 o seu primeiro disco, Tudo Que Eu Queria, contando com parcerias com Irah Caldeira e Santanna. A música que dá título ao disco está na trilha sonora da novela Carinha de Anjo, do SBT, na voz de Maycon & Vinicius.

Sempre muito fã da velha guarda do sertanejo, como Milionário & José Rico e João Mineiro, Raphael faz de quatro a seis shows por mês e coleciona vídeos com centenas de milhares de visualizações nas redes sociais tocando forró tradicional. “São João e São Pedro é a identidade da cultura do nosso povo. Por isso que a gente luta tanto para manter essa tradição”, disse Raphael Moura, que opinou sobre o futuro da cena: “Acredito fielmente que o público jovem ainda tem seu gosto pelo romantismo, até mesmo quem curte o forró estilizado. Tenho fé que há prosperidade para os dois lados, cada um à sua maneira, mas que precisamos continuar lutando por isso”, completou.

Luizinho de Serra, de Serra Talhada, Sertão do Estado, tem 30 anos de idade e 17 de carreira, passando por experiências de músico e produtor ao lado de Almir Rouche, Alcimar Monteiro, Jorge de Altinho, Maciel Melo e inúmeros outros artistas. Filho do sanfoneiro Zé Caiçara, desenvolveu as suas habilidades na sanfona, tendo Dominguinhos como inspiração máxima. Mas seu primeiro instrumento foi o pandeiro, quando começou a tocar profissionalmente aos 11 anos, em apresentações de festas de aniversário e escolas.

“A modernização da música, de uma forma geral, vem afetando a tradição. Um forró era feito na luz de candeeiro. Não havia toda essa parafernália de shows, era tudo mais intimista e aconchegante. Não só o forró. A cultura popular do nosso Estado levou um baque, mas se depender de mim, de outros novos músicos, e de tantos grupos que vêm nascendo por aí, não vai deixar de existir”, conta Luizinho.

Henrique Brandão, 29 anos, nascido e criado em Serra Talhada, cresceu na zona rural da cidade, ouvindo duplas de aboiadores nas pegas de bois que seu irmão mais velho participava, e também os LPs do Trio Nordestino, Marinês e Luiz Gonzaga da sua família.

“Meu primeiro projeto musical se chamava Henrique Brandão & Grupo Xaxado e Poesia, que era basicamente o que eu faço até hoje: forró e poesia”, contou, Brandão, que ainda ponderou sobre a atual fase do forró: “A nossa música passa por uma renovação notável, mas ela não pode perder alguns elementos históricos que são particulares da cultura nordestina. Não reconhecer isso me preocupa, pois, há festas que já foram marco para a história cultural do Estado e hoje são praticamente privadas. Para uma coisa existir a outra não precisa desaparecer”, acrescentou.

Henrique Brandão lançou em 2015 o seu disco Repare, feito em parceria com Luizinho de Serra, Raphael Moura, Felipe Júnior, entre outros nomes. Segundo ele e Raphael Moura – ambos autodidatas –, uma das inevitáveis dificuldades para um músico iniciante da área é a financeira, pois não há muitos investidores.

“Sou otimista e realista com nossa música: brigar no mesmo patamar com outros estilos não é possível por conta da ausência de investimentos do nosso lado, mas a qualidade e o público permanece. Da região de São Francisco, Araripe, Sertão Central, além do movimento poético do Pajeú com seus multiartistas – que declamam, cantam e tocam –, sem falar da própria Região Metropolitana, me alegra ver que o número de pessoas se interessando por entrar nessa luta artística continua crescendo por todo Estado”, diz Henrique, que prepara mais três músicas e um videoclipe para este ano.

Flávio Leandro, Benil Ramos, Pecinho Amorim, Mestrinho, Jackson da Sanfona, Vinicuis Gregório, Ayrton Queiróz, Thyelle Dias, são apenas um pouco da longa lista de nomes que os três entrevistados deram quando perguntados sobre a nova geração de artistas, antes de ressaltarem o quesito religioso das datas comemorativas, já que ambos os santos são padroeiros da grande maioria das cidades do interior do Nordeste que celebram a festa.

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