Carnaval 2018

Quinteto Violado conta a história do frevo na abertura do carnaval

Poucos artistas ou grupo musicais da cidade têm tanta autoridade para participar desta celebração

José Teles
José Teles
Publicado em 04/02/2018 às 10:33
foto: Dilvulgação
Poucos artistas ou grupo musicais da cidade têm tanta autoridade para participar desta celebração - FOTO: foto: Dilvulgação
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Talvez possa parecer estranho para muita gente ver o Quinteto Violado na abertura do Carnaval do Recife, em pleno Marco Zero, e logo no Dia do Frevo. No entanto, poucos artistas ou grupo musicais da cidade têm tanta autoridade para participar desta celebração. É até de se estranhar o fato de o Quinteto Violado não ter sido ainda homenageado no Carnaval da capital pernambucana.

 Nos anos 70, o Carnaval de rua estava em segundo plano no Recife, as agremiações apresentavam-se em passarelas e os foliões abrigavam-se nos clubes sociais. O próprio frevo enfrentava uma crise de identidade, desde que o similar baiano tornou-se sucesso nacional, sobretudo os compostos por Caetano Veloso. O Carnaval de Salvador ganhava grande divulgação, arrebatando público das folias do Recife e do Rio.

 O Quinteto Violado, que gravava frevos desde o álbum de estreia, em 1972, emplacou no ano seguinte, o sucesso Duda no Frevo, do compositor Senor, com uma formação de pau e corda, o que não agradou aos puristas do gênero. O problema do frevo estava exatamente aí, nos puristas. Em 1974, foi gravado o primeiro disco ao vivo no Santa Isabel, exatamente Frevo ao Vivo, da gravadora Marcus Pereira, que teve a produção do Quinteto Violado e promoveu algumas renovações no gênero, inclusive incluindo no repertório uma faixa com a banda Limusine 69, ousadia naqueles tempos.

 “Antes de se usar trio elétrico, o Quinteto montou uma estrutura num caminhão, era o Treme-Terra, e saiu pelas ruas do Centro, com o Maestro Duda tocando frevos. Depois, animamos o Bloco Azul, também num caminhão. Contribuímos bastante para a volta do Carnaval de rua. Uma época a gente tocou na Pracinha do Diário, uma iniciativa que deu certo e fez a prefeitura levar a Banda de Pau e Corda para tocar na pracinha de Boa Viagem, e depois em frente ao Acaiaca”, conta Marcelo Melo.

 Dudu Alves lembra que o Quinteto Violado ganhou um Prêmio da Música Brasileira, em 2014, com o disco Eu Disse Freeevo. Quando se decidiu que a abertura do Carnaval 2018 seria à base de frevos, Dudu Alves conta que o pessoal da Fundação de Cultura sugeriu que o Quinteto Violado apresentasse um projeto de show pegando o gancho de que o evento aconteceria no dia convencionado como do seu surgimento, 9 de fevereiro.

 Nesta data, em 1907, a palavra “frevo” aparece pela primeira vez na imprensa pernambucana, conforme constatou o pesquisador e folclorista Evandro Rabelo. Dudu Alves encarregou-se de traçar o roteiro do show de abertura, pensado como uma linha do tempo, contando a história do gênero a partir de 1907. “O repertório abre com Frevo de Dudu, composição minha, feita como uma trilha. É um frevo diferente, e a partir daí volta a 1907. Passado, presente e futuro da música serão mostrados no palco e em três telões. No passado, por exemplo, imagens de velhos carnavais vão sendo mostradas no telão, ao mesmo tempo em que, por uma passarela, passam diversas agremiações, começando o desfile pelos capoeiras, que contribuíram para a invenção do passo. A música que o Quinteto toca com a Orquestra de Duda neste momento trará os elementos que se juntaram para criar o frevo, o dobrado, por exemplo.”

 SHOW

 O conceito de Dudu Alves é de um musical, que poderia ser transportado para o palco de um teatro. A seleção dos frevos – de rua, canção e de bloco – enfatiza os clássicos, porém com roupagens que variam. Os convidados colaboram para isso. A lista é longa: Antônio Nóbrega, Claudionor Germano, Sérgio Andrade (Banda de Pau e Corda), Maestro Forró, Luciano Magno, Beto Hortiz, Banda de Pífanos Zé do Estado, Coral Edgard Moraes, André Rio, Almir Rouche, Banda Som da Terra, Ed Carlos, Gustavo Travassos e o flautista César Michilles.

 “Na nossa participação de uma hora e meia, portanto, muita coisa teve que ficar de fora, mas acho que está o essencial. Bem interessante está o frevo no futuro, claro, o futuro é agora. Vamos mostrar frevos com a sanfona de Beto Hortiz, com a guitarra de Luciano Magno e com os pífanos da banda Zé do Estado, de Caruaru, e chegamos até o eletrônico da Tascha, que usa a música para interagir com a plateia. Segundo Dudu, a proposta não é só levar o folião a fazer o passo, mas a conhecer toda a trajetória do frevo, um raro exemplo de um gênero musical que não teve variações em outros estados, é autenticamente pernambucano.

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