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John Pizzarelli numa homenagem a Frank Sinatra e Tom Jobim

Concerto tem participação de Daniel Jobim, neto de Tom

José Teles
José Teles
Publicado em 28/02/2018 às 8:30
foto: divulgação
Concerto tem participação de Daniel Jobim, neto de Tom - FOTO: foto: divulgação
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O guitarrista americano John Pizzarelli se apresenta no Brasil com bastante frequência, mas se limitava ao Sudeste e Sul do país. Desta vez, abre sua turnê nacional, sexta-feira, por Fortaleza e, no sábado, aterrissa, às 21h, no Teatro RioMar, acompanhado de Andy Watson (bateria), Konrad Paszkudzki (piano), Mike Karn (baixo) e Daniel Jobim (vocais). O repertório é baseado no álbum Sinatra & Jobim @ 50 – Featuring Daniel Jobim, um tributo aos 50 anos do antológico disco Francis Albert Sinatra & Antônio Carlos Jobim.

 A MPB é parte da trilha de sua vida, diz Pizzarelli, em entrevista ao JC: “Meu pai aprendeu a tocar música brasileira ao violão. Quando eu era bem jovem, comecei a escutar bastante os primeiros discos de Jobim. Então, quando estava com 20 anos escutei Amoroso (de João Gilberto) e daí um amigo me deu um cassete com Elis Regina, João Bosco Toninho Horta e outros, me marcou”. Ele lamenta não ter conhecido Tom Jobim pessoalmente, e inveja o pai, o também guitarrista Buck Pizzarelli, que participou do álbum de Jobim,Terra Brasilis (1980), na faixa Two Kites (Thighs in the Skies).

 Quando o LP de Frank Sinatra com Tom Jobim foi lançado, John Pizzarelli estava com apenas sete anos. Obviamente, ele não se lembra exatamente quando o escutou pela primeira vez: “Não sei quando foi, embora ache que tenha sido tocado por John Schwartz, na época, numa rádio aqui em Nova Iorque”. Ele pode, no entanto, gabar-se de ter aberto shows do parceiro de Jobim no disco que está homenageando. Em 1993, John Pizzarelli (então com 33 anos), fazendo parte de um trio (no qual tocava seu irmão Martin Pizzarelli ), abriu shows de Frank Sinatra: “Ele era emocionante tanto no palco, quanto fora dele”, elogia.

 “A Voz” foi um dos grandes nomes com quem John Pizzarelli já tocou. Com uma das grandes vozes femininas da música americana, Rosemary Clooney, gravou um álbum, não por acaso, intitulado Brazil. Mas sua praia, durante muito tempo, foi o chamado The Great American Songbook, o imenso e precioso legado de compositores do gabarito de George Gerswhin, Johnny Mercer ou Cole Porter, de quem é fervoroso admirador.

 No concerto do RioMar, além de Tom Jobim e os autores citados, toca também Beatles e Paul McCartney. Pizzarelli tocou em dez faixas do álbum Kisses in the Bottom (2012), de McCartney, que sugeriu ao guitarrista um disco com composições suas, menos populares, e ele fez o elogiado Midnight McCartney (2015). Antes, dedicou um álbum aos Beatles, Meet the Beatles (1998).

RENOVADOR

Considerado um renovador da interpretração do cancioneiro popular americano, John Pizzarelli caminha pela praia do jazz, sem acidentes de percursos, há 35 anos, contados a partir do álbum de estreia I’m Hip (Please Don’t Tell My Father), um repertório que corteja canções com acentuações pop, feito Route 66 (Bobby Troup). Além da discografia solo, tem vários discos com o pai, Buck Pizzarelli, com sua mulher, a cantora Jessica Molaskey, e nomes como Buddy de Franco, Rosemary Clooney, Debbie Boone, Ray Brown, Stephane Grappelli, The Manhattan Transfer, entre outros.

 Sinatra & Jobim @ 50 não é a primeira homenagem que prestou a Frank Sinatra, uma vez que, em 2006, lançou o álbum Dear Mr. Sinatra. Tom Jobim é recorrente na obra de Pizzarelli, que o compara a George Gershwin. Em Bossa Nova (2004), incluiu cinco composições de Tom, além de contar com participações de César Camargo Mariano, Paulinho Braga e Daniel Jobim. Este disco que dá nome à atual turnê do guitarrista teve um antecedente, em elogiadas apresentações que ele e Daniel Jobim fizeram, há dois anos, em Nova Iorque.

 Assim como a de Gershwin, ou de Cole Porter, a música de Tom Jobim é regravada com frequência nos EUA e Europa, quase sempre nos domínios do jazz (enquanto no Brasil, a ânsia do novo pelo novo leva a fazer crer que bossa nova é música de elevador). O cinquentenário do álbum de Frank Sinatra e Tom Jobim, acontecido em 2017, foi mais lembrado nos Estados Unidos do que no Brasil.

 O tributo de John Pizzarelli e de Daniel Jobim a Tom Jobim não o reverencia em demasia. Há, por exemplo, a inclusão de Baubles, Bangles and Beads, standard de Bob Wright e Bob Forrest, até Jobim com Cole Porter. entremeando Wave, do primeiro, com I Concentrate on You, do segundo.

 Show  Sinatra & Jobim @ 50 – Featuring Daniel Jobim, com John Pizzarelli, Daniel Jobim e banda – Sábado, 03/03, no Teatro RioMar. Ingressos variam de R$ 180 a R$ 240 e podem ser adquiridos na bilheteria do teatro, ou no link: https://www.uhuu.com/evento/pe/recife/john-pizzarelli-4135

 

 

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