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Inácio Rios é da nobreza do samba carioca

Cantor se apresenta hoje no projeto Samba de Bamba

José Teles
José Teles
Publicado em 27/11/2018 às 12:20
Foto: Sandro Mendonça/Divulgação
Cantor se apresenta hoje no projeto Samba de Bamba - FOTO: Foto: Sandro Mendonça/Divulgação
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Inácio Rios, atração de hoje do Projeto Samba de Bamba, no Caixa Cultura, tem 33 anos, mas é um veterano. É da corrente do samba tradicional, filho de Zé Katimba, um imigrante paraibano que se tornou um dos maiores autores de sambas de enredo, um dos fundadores da Imperatriz Leopoldinense. Não por acaso, em 2005, aos 19 anos, Inácio tornou-se o autor de samba de enredo mais jovem a ganhar um Carnaval, com o samba que compôs para a Mocidade de Independente de Padre Miguel.

Nascido no meio da nobreza do samba, Inácio Rios começou aos oito anos: “Rildo Hora estava produzindo o projeto Sambas Eternos, e meu pai me sugeriu para participar no disco com os sambas da Imperatriz Leopoldinense, cantei Vamos Brincar de Ser Criança”, conta Inácio, que interpretou com o pai este samba de enredo (de 1978, assinado por Zé Katimba mais com Tuninho/Guga/Sereno/Aranha). Na estreia ele usa apenas Inácio como nome artístico. Convidado por Martinho da Vila, seu padrinho no samba, ele participou do álbum Butiquim do Martinho, em 1997. Está na ficha técnica como Zé Inácio, e teve direito a duas composições, feitas em parceria com Zé Katimba, Se Deus Quiser e Roda da Vida.

Inácio Rios gravou o primeiro disco solo em 2008, Bendita Percussão, curiosamente, apenas uma faixa leva a sua assinatura, Samba pros Poetas, parceria com Diogo Nogueira, coincidentemente filho de um sambista maior, João Nogueira. Inácio Rios tocou até recentemente na banda de Nogueira. Participou também do grupo de Martinho da Vila, nos backing vocals (entrou no lugar de Mart’Nália), e com Jorge Aragão.

“Agora estou em carreira solo, com a minha banda – Daniel Boechat (tantã), Raphael Lagoas (surdo), Bruno Campos (violão) Dudu Silveira (cavaquinho) e Will Maneiro (pandeiro)”. A base do show do Caixa Cultural, é o ultimo disco do sambista, o luxuoso Agulhas de Marear, com direito a capa de Elifas Andreato, e participações de Mart’Nália, Diogo Nogueira e Grupo Café Brasil. Todas as 12 faixas foram compostas por ele, a maioria com parceiros (apenas duas são somente suas. Inácio Rio está preparando o primeiro DVD, com produção do especialista em samba Bira Hawai.

PROTESTO

“Se o Cristo aqui voltar/ Com a intenção de nos salvar/ Será preso, algemado/ E nem vai poder falar”, os versos são de Efeitos da Evolução (Aloísio Machado), lançada por Martinho da Vila em 1982 (álbum Verso e Reverso). Um samba que tem como tema as questões ambientais, e conflitos bélicos: “Abro o show com três sambas de protesto, Efeitos da Evolução, Bandeira da Fé (Martinho da Vila/Zé Katimba) e Moeda Motriz (Mussa), mas o protesto aí não é político, é algo mais amplo”, diz Inácio.

l Inácio Rios e grupo, no projeto Samba de Bamba, hoje, às 20h, no Teatro Caixa Cultura (Av. Alfredo
Lisboa, 505, Bairro do Recife). Ingressos R$ 30 e R$ 15. Fone: 3425.1915

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