Disco

Múcio Callou lança suíte inspirada na Revolução de 1817

Música é executada por um quarteto de cordas

José Teles
José Teles
Publicado em 19/12/2018 às 11:37
Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem
Música é executada por um quarteto de cordas - Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem
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Encartado na edição da Revista Continente, de agosto de 2018, o disco Suíte 1817, do músico pesqueirense Múcio Callou, tem seu lançamento comercial, hoje, a partir das 19h, na Passa Disco. O autor dará pocket show, acompanhando-se ao violão. Inicialmente uma peça de dez minutos, a suíte seria executada na abertura de uma exposição em homenagem ao bicentenário da Revolução de 1817, no Museu das Cinco Pontas. Múcio Callou atendia a um convite de Betânia Correa de Araújo, curadora da exposição. No entanto, a peça acabou se estendendo a meia hora e oito temas:

“Foi feita entre 2016 e 17, levou um ano para ficar pronta, e seis meses só para compor a música”, diz Múcio Callou, que confessa que sabia pouco a respeito da revolução. Para compor a suíte debruçou-se sobre a bibliografia sobre o tema: “Li vários livros, contatei historiadores, e constatei a importância deste episódio meio esquecido. Dos livros sobre 1817, o que mais me chamou atenção foi o romance A Noiva da Revolução, de Paulo Santos”.

Não foi a primeira vez que Callou incursionou pela música erudita. É autor da Suíte do Capibaribe, inspirada no rio homônimo e sua presença no Recife, e uma Suíte Tributo a Josué de Castro, esta última estreou no Teatro do Parque, em 1995, com o documentário Josué de Castro Cidadão do Mundo, de Silvio Tendler. Ambos celebrando o meio século do clássico Geografia da Fome. As duas suítes continuam inéditas em disco. O que ele chama de Suítes Pernambucanas foi inscrito como projeto num edital do Funcultura. Não foi aprovada.

EXPERIMENTAL

Múcio Callou faz musica no Recife praticamente desde que veio de Pesqueira para estudar na capital. Mas foi em 1977 que passou a frequentar os palcos. Naquele ano esteve à frente (com seis músicos) do show Epidemia, apresentado no Teatro Valdemar de Oliveira. De um repertório de onze canções, nove tinha a assinatura de Múcio Callou. Participou do efervescente cenário musical do Recife e Olinda no final da década. Nos anos 80, ele foi pioneiro, no Recife, em música experimental, quando estava terminando o curso de graduação em música na UFPE, onde foi desenvolvido o pouco lembrado projeto Elos, que teve participação de Zoca Madureira, Quinteto Armorial e Múcio Callou, que criou uma peça em parceria com integrantes da Escola de Samba Galeria do Ritmo, com o emprego de instrumentos não convencionais, como folhas de zinco, tubos de plástico, bacias. O concerto foi apresentado no Centro de Cultura Luis Freire, em Olinda, uma suíte experimental, com temas de título também nada convencionais, Para Nóis Para Vozes e Concerto Pobre nº1, por exemplo.

O Concerto Experimental, como foi apresentado, procurava encaixar os improvisos dos música e da plateia. A última apresentação do concerto aconteceu no Morro da Conceição, onde flautas e violões misturaram-se à bateria da escola de samba, e moradores do local, arregimentados por Callou, tirando som com o que tivesse as mãos. A partir dos anos 90, Múcio Callou passa a trabalhar basicamente em trilhas e dirigiu também a coordenadoria de música da Prefeitura do Recife. Duas trilhas em 1987, foram lançadas em LP, Nem Tudo São Flores e A Trilha de Um Menino no Mundo da Lua.

SUÍTE
No texto que escreve para o encarte do CD, Múcio Callou ressalta que a Suíte 1817 é um convite à reflexão, uma viagem pelo tempo e pela História, que tem como destino a contemporaneidade. A suíte foi gravada pelo Quarteto Aram – Múcio ao violão, mais Rogerio Acioly (flauta), Leonardo Guedes (violoncelo) e Fernando Rangel (contrabaixo). As peças variam em climas e ritmos, vão do jongo ao maracatu, da modinha a um réquiem. Abre com um prelúdio e fecha com o Hino aos Heróis, fantasia com música que tem a ver com 1817, um trecho da Heróica, de Beethoven, os hinos de Pernambuco, da França, e da Maçonaria. Meia hora de música bem executada, melodiosa, e acessível.
l Passa Disco – Rua da Hora, 345, Espinheiro

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