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Marina Melo solta o prazer de dividir em 'Estamos Aqui'

Artista paulista apresenta seu novo projeto nesta quinta (07) no Recife ? cidade que inspirou seus processos criativos no disco

João
João
Publicado em 07/11/2019 às 17:01
Foto: Laís Aranha/Divulgação
Artista paulista apresenta seu novo projeto nesta quinta (07) no Recife – cidade que inspirou seus processos criativos no disco - FOTO: Foto: Laís Aranha/Divulgação
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Em 2016, a compositora, cantora e performer Marina Melo estreava com o seu excelente projeto Soft Apocalipse. Desde o título, a artista já tensionava linhas e encontrava intersecções entre dualidades; do cotidiano das relações amorosas emergia as mais sutis – ou não – significações políticas. Estamos Aqui, seu segundo projeto já disponível nas plataformas digitais, é o aprofundamento dentro desses processos de composição – tanto em texto quanto em sonoridades.

Produzido pelo mineiro Chico Neves, o disco será apresentado por Marina, nesta quinta (07), no Terra Café Bar, a partir das 20h. O show é o segundo de uma série de apresentações que a artista vem fazendo pela primeira vez no Recife.

A cidade, no entanto, não é estranha para Marina. Em Estamos Aqui, nomes como o do pernambucano Juliano Holanda, por exemplo, figuram entre as colaborações nas dez faixas. Mais ainda, Recife, conta ela, foi fundamental na concepção do seu disco.

“Recife mudou muito minha forma de encarar a arte. No primeiro álbum tudo foi muito solitário – tinha apenas uma parceria. Nesse já são quatro. Uma delas é com o Juliano, que na primeira vez que eu vim para aqui, ele e o pessoal me ensinaram a me abrir a esse encontro composicional. Foi aí que descobri como é prazeroso começar uma letra e não ter que resolver tudo sozinha – buscando em outras harmonias novas sensações”, conta Marina.

No show de amanhã, subirão ao palco, além de Juliano, os artistas Almério, Flaira Ferro, Sofia Freire e Isadora Melo. A ideia é um show bastante único e inusitado, já que na turnê do disco a cantora geralmente se apresenta sozinha. “Vou convidá-los para cantar uma música autoral deles, e uma comigo. É muito legal pensar como entrelaçar isso e as participações acontecerem de uma maneira mais livre, para escapar daqueles esquemas mais clássicos”, diz.

O público presente no show poderá não só embarcar nas sonoridades do disco, mas também encará-lo como Marina entende sua música: nunca a desprendendo da performance corporal. “Desde que eu comecei a fazer show, pra mim, o palco sempre foi um lugar muito vigoroso. Um lugar onde cada vez mais eu descubro que tudo que acontece significa. Desde o silêncio entre as músicas, suas conversas, até a sua roupa, a quantidade de texto que você fala, como você pega o violão”, explica.

VARIAÇÕES

Estamos Aqui é fruto desse mar de significados. Seu título, assim como o primeiro projeto de Marina, diz muito sobre seus conceitos. “É uma grande coleção de situações que acontecem com quem está aqui agora”. É assim que escutamos desde Eita, Baby – balada pop romântica sobre alguém chamar o parceiro de “amor” antes da hora – até Quem Mandou Matar, com um instrumental sombrio e versos sobre o estado de violência atual do Brasil.

“Pra mim a música que mais define o disco é Gente, que é minha parceria com o Juliano, onde a gente pergunta “Gente, vocês não acham estranho ser gente?”. A partir daí vamos pincelando sobre desde gostar de dançar e beijar na boca, até as tragédias que a gente vê e não consegue resolver”, explica.

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