Carnaval 2020

Claudionor Germano continua nos palcos aos 87 anos

Cantor confessa que luta contra Mal de Parkinson

José Teles
José Teles
Publicado em 14/02/2020 às 10:21
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Claudionor Germano, do alto dos seus quase 87 anos, pretendia prestar uma homenagem ao disco que mudou o curso de sua vida, o 25 Anos de Frevo, lançado pela Mocambo/Rozenblit, e que foi o LP mais bem sucedido da história da música pernambucana. Ressaltando-se que no mesmo ano ele estourou com O Que Fiz e Você Gostou, um álbum com composições de Nelson Ferreira, autor dos arranjos de ambos os discos. Ele chegou a montar um projeto para o show do citado 25 Anos de Frevo, e Carnaval Começa com C de Capiba, gravado em 1960, para o Carnaval de 1961, mais outro LP com música de Nelson Ferreira, O Que Eu Fiz e Você Pediu.

“Ofereci ao projeto à Prefeitura, mas me disseram que não tinham verba, mas não tem problema. Este é um projeto que pode ser feito durante 2020”, contemporiza o cantor, que embora tenha passado, cinco anos atrás, o cetro de Rei do Frevo para o filho Nonô Germano, numa cerimônia numa solenidade na Câmara Municipal do Recife, não abandonou os palcos. Ele conta que luta contra o mal de Parkinson, que está contendo como pode. Estira os braços e mostra, vaidoso, que estão firmes. Ele já não tem mais as pernas tão firmes para fazer o passo, mas mesmo assim estará em três palcos nesse Carnaval, dois deles na Praça do Arsenal, o terceiro no Baile Municipal:

“Fiz um projeto com frevos clássicos, que podem ser cantados por qualquer agremiação. Mas agremiações evangélicas não toparam”, diz ele, mostrando um livreto com algumas dezenas de frevos-canção e de bloco, que estarão em seu repertório no Carnaval. Não cantará, no entanto, músicas de Capiba 25 anos de Frevo: “Estas quero cantar num show dedicado ao disco, no palco do Santa Isabel”.

ROZENBLIT

Até 1959, quando foi convidado para gravar os LPs com composições de populares autores pernambucanos de música para Carnaval, Claudionor não era cantor de frevo. Ganhara seis vezes o título de melhor voz do rádio do Estado, mas interpretava todos os gêneros. Tivera o privilégio de gravar no primeiro 78 rotações lançado pelo selo Mocambo, da Rozenblit, o frevo-canção Boneca, de Aldemar Paiva e José Menezes (na outra face, a Come e Dorme, de Nelson Ferreira). Foi também o primeiro disco de frevo gravado em Pernambuco. Mas demoraria a gravar novamente um frevo.

De repente, o convidavam para gravar dois discos inteiros de frevos. Pioneirismo não só em Pernambuco: nenhum intérprete brasileiro até então fizera um LP todo com música carnavalesca. O comum era um cantor gravar uma ou duas marchinhas, ou frevos canção. Geralmente em 78 rotações, e compactos nos primeiros anos da década de 60. Música de Carnaval era circunstancial, tocava enquanto durava a folia. Se estourasse pelo país, seria cantada em outros carnavais. Se não, cairia no esquecimento.

CAIU NO FREVO

Os quatro álbuns gravados por Claudionor Germano venderam bem, tocaram nos estados do Nordeste, porém o 25 Anos de Frevo tornou-se um fenômeno. Continuou durante anos o mais vendido do período carnavalesco e praticamente obrigou Claudionor a se assumir como cantor de frevo. “Botaram um placar na Rozenblit pra ver qual dos dois LP vendia mais. Começaram meio empatados, mas o disco de Capiba disparou, foi o campeão”, conta ele, também chamado A Voz do Frevo, mas que, paradoxalmente, nunca foi de brincar Carnaval.

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