CARNAVAL

Rec-Beat 2020: conheça Guts, músico francês que se apresenta pela primeira vez no Recife

Guts se apresenta na segunda-feira de Carnaval, no palco do Rec-Beat, às 23h

Valentine Herold
Valentine Herold
Publicado em 23/02/2020 às 9:00
Foto: Reprodução/ Facebook
Guts se apresenta na segunda-feira de Carnaval, no palco do Rec-Beat, às 23h - FOTO: Foto: Reprodução/ Facebook
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O músico e DJ francês Guts desembarca no Recife – em sua primeira passagem pelo Nordeste – para se apresentar no Festival Rec-Beat, na próxima segunda-feira (24), às 23h. Ele conversou com a repórter Valentine Herold sobre sua relação com a música brasileira e seu novo álbum, Philantropiques.

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JORNAL DO COMMERCIO - Seu projeto artística tem uma relação muito estreita com a música brasileira, principalmente o carimbó, e ritmos africanos. Quando e como você começou a se interessar pelo Brasil?
GUTS - É, antes de tudo, um coração e uma verdadeira atração que eu senti pela música brasileira. Iniciei minhas pesquisas musicais há cerca de 10 anos. Ao longo desse tempo, comprei muitos vinis da época entre os anos 1969 e 1985. Através das minhas compilações Beach Diggin' fui reunindo muitos títulos brasileiros. E hoje em dia eu não consigo imaginar um set sem embelezá-lo de algumas músicas brasileiras, virou um hábito e uma necessidade para passar uma excelente noite e colocar as pessoas para dançar. Descobri recentemente o carimbó, é uma música festiva autêntica, uma música simples repleta de energia e ideal para meus sets.

JC - No seu último álbum, Philantropiques, tem parcerias com Pinduca e Nazaré Pereira, dois grandes artistas brasileiros do Norte e Cátia Werneck, do Rio. Em Pernambuco temos também ritmos bem próprios, alguns de origem africana, com muita percussão, como o maracatu. Você já teve a oportunidade de ouvir o que tem se feito na música pernambucana?
GUTS - Ainda tenho muita lacuna a respeito dos grandes artistas do Norte/Nordeste do Brasil, mas descobri há pouco a história de Chico Science e de seu grupo Nação Zumbi, o movimento Manguebeat.

JC - Qual a origem de sua paixão pela música caribenha e africana?
GUTS - Eu venho da cultura do Hip Hop, funk e reggae dos anos 1980. Então, de forma rápida e indireta, fui me interessando pela origem dessas músicas, suas ascendências etc... Na minha cultura do Hip Hop usamos samples, então estamos o tempo todo fazendo pesquisa musical.
Além disso, eu venho de Paris, mais precisamente de um bairro de periferia. É uma cidade multicultural, cosmopolita, sempre tive uma vizinhança muito colorida, também não podemos esquecer do passado colonial da França. Nas Caraïbes, algumas ilhas são francesas, como a Martinique - de onde vem meu melhor amigo - e Guadeloupe. Por fim, a mãe da minha filha é do Mali, país africano. Portanto são muitas influências, tive muitas oportunidades de me conectar com as músicas africanas e caribenhas.

JC - De maneira você realiza suas pesquisas musicais?
GUTS - Minhas pesquisas musicais são guiadas pela minha curiosidade, minha sede de descoberta, minha paixão pela música. Tenho toda uma rede de “escavadores” de vinis, revendedores, DJs que me ajudam a descobrir novas referências, artistas. A gente se ajuda e compartilha nossas descobertas. Eu também passo muito tempo em sites como o Discogs e como tenho a oportunidade de viajar bastante, aproveito para visitar lojas de discos.

JC - Esse vai ser seu primeiro show no Recife. Quais suas expectativas para a vinda à cidade e para tocar no Rec-Beat?
GUTS - Na verdade não estou fazendo um show, mas um DJ Set, é uma proposta artística diferente. Só vou tocar 50 minutos, então é difícil conseguir contar uma história nesse intervalo de tempo, ainda mais quando você está há 30 nesse mercado da música. Não estou criando nenhum expectativa específica, estou aberto a receber e acolher. Sempre conto com minha aura e minha boa estrela. Mas tenho consciência que tocar no Rec-Beat, tocar no Carnaval, parece um sonho!

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