Frevo

Frevo agora tem que tocar no rádio duas vezes por dia

Emissoras evangélicas ficam fora da lei Momento do Frevo

José Teles
José Teles
Publicado em 10/04/2013 às 6:00
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“Por mim, tocava frevo em todas as dependências do prédio da prefeitura”, a opinião pessoal da secretária de cultura da prefeitura do Recife, Leda Alves, sobre a Lei Momento do Frevo, proposta do vereador Marco Aurélio Medeiros (PTC), aprovada dia 19 de março, na Câmara dos Vereadores do Recife, e sancionada ontem pelo prefeito Geraldo Julio. Basicamente, a lei exige que as emissoras de rádios locais deverão tocar, pelo menos dois frevos diariamente. Um no horário das 8 ao meio-dia, outro das 14h às 18h. Elogiando a sensibilidade do prefeito na sanção da lei, Leda Alves aponta que este é o caminho que abre uma exceção: “A lei escancara uma porta, que o frevo seja também tocado nas escolas, educando as crianças para esta música frevo. Ele é um patrimônio imaterial da humanidade, resta agora pensar o que fazer com este patrimônio?”

O vereador Marco Aurélio Medeiros, diz que acredita, por conta d lei Momento do Frevo, no próximo carnaval já os compositores terão muito mais espaço para suas composições. Ressalta que ficam de fora, emissoras noticiosas, como a CBN, as que funcionam em rede, e as evangélicas: “Só as rádios que tocam músicas deverão tocar frevos. Mas não será uma imposição, a ente irá as rádios conversar com os responsáveis. na verdade, o ideal seria que nem fosse preciso uma lei para se tocasse frevo no Recife. Este é o primeiro passo para que o frevo deixe de ser uma música que só se escuta no carnaval”, comenta o vereador.

Há anos na luta para quebrar a sazonalidade do frevo, o maestro Inaldo Cavalcanti, Spok, é a favor da Lei Momento do Frevo: “É mais uma janela que o frevo ganha, mas queria saber que frevo vão tocar? Dois frevos por dia é pouco, mas é melhor do que nada. Agora, entendo também que rádio é uma concessão e o governo tem autoridade para exigir mais”, diz Spok. Ele é um exemplo do descaso com a música local.

Presença assegurada no circuito do jazz europeu, ou clubes requintados como o Ronnie Scott’s, de Londres (no qual volta se apresentar este ano), a Spokfrevo Orquestra não toca nas rádios pernambucanas (com as exceções de praxe): “Só tocam a gente aqui, em anúncio de algum evento, alguma coisa que vai nossa participação”, diz o maestro .

À frente de outra orquestra badalada do Recife, o maestro Forró também é a favor da lei, porém com ressalvas: “Acho que uma ação a favor do frevo: “Em que ver o que vão tocar, a gente sabe que tem muito disco de frevo mal produzido, mas a intenção é boa, e pode ser que ajude a compositores músicos. Mas não podemos esquecer que Pernambuco tem muito mais do que frevo, é um estado muito rico musicalmente”.

Fábio da Cabral, da Passa Disco, loja especializada em música pernambucana, e produtor da coletânea Pernambuco frevando para o mundo, tal como os dois maestros, aprova a lei Momento do Frevo, temendo que haja distorções: “O perigo é rádio brega tocar frevo ruim, ou mal gravado, do tempo do ronca. Bom mesmo seria que bandas como Eddie, Nação, Mombojó, Otto, Lenine, gravassem frevos novos para a juventude ouvir. Só se forma público na juventude”, sugere Cabral. Emerson Sarmento é um dos novos valores da música carnavalesca. Em vez de comentar sobre a nova lei, ele preferiu fazer uma pergunta: “Cadê o concurso de música carnavalesca deste ano que não aconteceu?

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