Disco

A pluralidade da música de Arnaldo Antunes em Disco

Cantor testou o repertório liberando músicas na internet

José Teles
José Teles
Publicado em 06/11/2013 às 6:00
Foto: JC Imagem
Cantor testou o repertório liberando músicas na internet - Foto: JC Imagem
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De junho a setembro, uma por mês, Arnaldo Antunes liberou quatro canções inéditas do que seria seu 13º álbum solo (aprovado em edital do Natura Musical). O projeto foi batizado simplesmente de Disco (Rosa Celeste). O despojamento no título não foi uma provocação, como aconteceu com o PIL, de Johnny Lydon que batizou de Album, Compact Disc, ou Cassete, a coleção de canções que lançou em 1986 : “O nome surgiu desta ideia das músicas avulsas, de postar estas músicas. As pessoas se relacionam hoje de maneira diferente com a música. Não são acostumadas a ouvir um disco como se fazia antigamente. Disco porque é uma reunião de músicas serenas, pesadas. Tem a ver com o modo shuffle, você não sabe o que vem a seguir”, comenta Arnado Antunes, em entrevista por telefone.

Ele confessa que a liberação das quatro músicas para audição a medida que as ia gravando  foi uma novidade para ele: “Acho que alterou o meu jeito de gravar. Antes eu fazia, as bases, botava voz, fazia o mix, ia fazendo o disco. Desta dez terminava músicae já postava e já recebia o feedback”, diz Arnaldo. Uma enquete em seu Facebook, para saber qual a canção preferida dos fãs, mostrou que as reações foram diferente, opiniões  divididas. Ela é tarja preta, com clima e refrão de marchinha carnavalesca, tem se destacado: “Ela é tarja preta/tem que ter receita/pode fazer mal pra você” versos do refrão da canção de levada meio jamaicana, meio paraense, é uma parceria de Arnaldo Antunes com Betão Aguiar, Felipe Cordeiro, Luê e Manoel Cordeiro. Gravado parte no Rio parte em São Paulo, com Daniel Jobim no piano, a guitarra de Chico Salem, violão do Cezar Mendes e baixo do Betão Aguiar. Uma delas eu gravei também com David Moraes (guitarra) e Marcelo Callado (bateria).

Disco é um dos CDs mais diversificados de Antunes. Aqui ela renova parcerias, e mescla ritmos e cronologia das músicas, afasta-se do estilo Iê-iê-iê, título do se ultimo disco de inéditas (de 2009), permanece sua fixação pela manipulação das palavras. Disco foi um trabalho que se impôs ao autor, que não pretendia lançar álbum este ano, mas continuar com os shows do Acústico MTV, ao mesmo tempo em que construía o repertório de um disco para lançar em 2014.

Um disco que já havia inclusive recebido nome de batismo: Bipolar, conceitualmente dividido em uma lado sereno, e outro pesado, explica Arnaldo Antunes. Disco, não deixa de ser bipolar, não exatamente no peso das canções, mas na diferença entre elas.

Os produtores Betão Aguiar e Gabriel Leite fizeram um bom trabalho encontrar a liga entre entre composições díspares, e de épocas  diversas. Tem desde música dos primeiros shows dos Titãs, nunca gravada pelo grupo, Vá trabalhar: “A gente tocava no comecinho mesmo da banda. Fiz antes do grupo gravar”, diz Arnaldo. Não é a única do ex-grupo de Arnaldo.  Sentido, uma que poderia estar no lado pesado de Bipolar é uma parceria com Nando Reis, que acabou não sendo gravada pelo Titãs, e nem se encaixava em disco solo de Arnaldo Antunes: “Fiz a letra sob o impacto da morte de Marcelo (Frommer). Ia entrar no primeiro disco dos Titãs sem Marcelo, mas não encaixou. Agora achei que tem a ver com o perfil deste disco”, explica o músico.

A mais atípica do álbum é Mamma, canção do álbum londrino de Gilberto Gil, de 1971: “É este exercício divertido de verter letra em inglês de um artista brasileiro. Eu escutei muito esta música, lembro de duas gravações dela, acho que fiz da segunda”.

DISCO - No disco as parcerias vão de Caetano Veloso a João Donato e Filipe Cordeiro. Os estilos são os mais heterodoxos possíveis: rock pesado, reggae, balada, bossa nova. As mais recentes tem mais a cara dos últimos discos de Arnaldo, e formam uma outra face de músicas feito Quero mandar (arranjos e cordas de Ruriá Duprat), balada, meio valsinha, ou Fogo, uma bossa nova, feita com João Donato. É mais ou menos bossa nova, a faixa final, Acalanto pra acordar (com Lenora de Barros, Marcia Xavier). É um disco menos fácil que Iê iê iê, porém bem mais instigante, feito nas provocações de  Ah, mas assim vai ser difícil.

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