Chico Science 50 anos

Ana Brandão, mãe de filha de Chico Science, conta sua história

Ela resssalta que conheceu apenas o Francisco de Assis França

José Teles
José Teles
Publicado em 02/02/2016 às 5:17
foto: acervo pessoal da AB
Ela resssalta que conheceu apenas o Francisco de Assis França - FOTO: foto: acervo pessoal da AB
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Ana Brandão. Um nome que nunca aparece nas matérias jornalísticas, ou livros sobre Chico Science, talvez porque ela tenha sido mais importante na história de Francisco de Assis França, ou Chiquinho, como era chamado pela família e amigos antes do manguebeat. Procurada pela reportagem do Jornal do Commercio, lhe foi explicado que a entrevista seria para uma série que celebraria os 50 anos dele, Ana Brandão foi taxativa: "Você vai falar de Chico Science. Eu só tive contato com Francisco de Assis França. Gentil, mas firme, esquivou-­se à entrevista: "Já faz tantos anos. Deixa quieto. Eu sei, e ele também, que foi mais intenso que qualquer outro".

Alguns dias depois, concordou em contar a história, que começou no Colégio Bairro Novo, quando Aninha (como ela é chamada) estava com 17 anos, e Chiquinho com 22. "Nos conhecemos no colégio em que estudávamos. Eles foram tocar na feira de ciências, do Colégio Bairro Novo. Ele estudava à noite. Acho que era pré­-vestibular, e estava na Orla Orbe (sua primeira banda). Nos olhamos e uns amigos em comum nos passaram o bizu um do outro. Depois desse dia, nos encontramos na formatura da minha irmã. E ele me chamou pra dançar. Demorou muito pra acontecer o namoro. Eu o via como um amigo. Era um cara muito legal, solícito, gentil", conta Aninha, que não aceitou a proposta de namoro. Arrependeu­se por ter dado um "toco" no pretendente e ligou para Chiquinho, na hora do expediente dele na Emprel: "Daí vem uma situação que, talvez, ele tenha revelado na música Risoflora.

Ele ficou de ir na minha casa depois de uma apresentação, ali perto, eu morava na Rua do Bonfim, Sítio Histórico. Ele me deixou na calçada esperando e não apareceu. Quando apareceu, dias depois, deu uma desculpa esfarrapada.", comenta ela. Este começo, clássico, de namoro, aconteceu em 1988, quando o ainda Chiquinho França mexia nos tubos de ensaios, em plena experimentação do som que mudaria a MPB dentro de cinco anos. Chiquinho, pelo visto já escrevia seu próprio roteiro até nos relacionamentos. Antes de namorar firme com Aninha, ele, mesmo assim, passava quase toda as noites na casa dos pais dela, vinha direto trabalho e batiam longos papos. A música acabava entrando inevitavelmente no assunto.

Já naquela época, como lembra Aninha, "Ele transpirava música. Chico era tão charmoso e sedutor, que nem tínhamos nos conhecido direito e ele fez uma música pra mim, chamada Continuação: "Já não consigo parar/ são tantas coisas no ar/ às vezes acho que não vou sentir sua paixão/ e nos relógios as horas vão em vão/ e as nossas vidas não passam de continuação". A música, que estava no repertório da Orla Orbe, continua inédita, é um rock no estilo dos Paralamas do Sucesso.

(leia matéria na íntegra na edição impressa do Jornal do Commercio)

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