Disco

Yoko Ono é cultuada e remixada pela nova geração de roqueiros

A artista, de 83 anos, lança álbum com remixes de suas canções

José Teles
José Teles
Publicado em 19/03/2016 às 6:00
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A artista, de 83 anos, lança álbum com remixes de suas canções - FOTO: Foto: reprodução
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Há 50 anos, o beatle John Lennon visitou uma galeria de arte de um amigo, em Londres, onde se montava a exposição Unfinished Painting (Pintura Inacabada) de uma artista plástica japonesa, Yoko Ono. A galeria, chamada Indica, pertencia a John Dunbar, marido da cantora Marianne Faithfull. Ele tinha mais dois sócios. Um deles era Peter Asher, da dupla Peter Gordon, e irmão de Jane Asher, então namorada de Paul McCartney, que financiou a galeria. Ironicamente, McCartney fez com que John conhecesse Yoko a quem, até hoje, os fãs consideram a principal culpada pela dissolução dos Beatles.

Quando ela conheceu o beatle, os dois eram famosos em suas respectivas áreas. Lennon na música pop, Yoko na arte conceitual. Embora participasse de atividades com o célebre grupo Fluxus, influente e atuante na efervescente vanguarda de Nova Iorque, no início dos anos 60, Yoko Ono era uma criadora solitária, com exposições, ou performances, polêmicas, entre as quais a Cut Piece (Peça Cortada), apresentada em Tóquio, Londres e Nova Iorque (no Carnegie Hall). Na Cut Piece Yoko Ono expunha­s-e, num palco, bem vestida, com um par de tesouras à sua frente, e convidava as pessoas na plateia a subir e cortar pedaços da sua vestimenta.

Em 1964, lançou um clássico da arte conceitual, o livro Grapefruit, que até hoje continua em catálogo. Yoko Ono influenciaria John Lennon e, por tabela, a música dele no período final dos Beatles. Ela não era leiga no assunto, nem o fez por causa de Lennon. Estudou música clássica japonesa, foi aluna de John Cage e trabalhou com La Monte Young (Marcel Duchamp esteve na plateia de uma performance dos dois), referências da vanguarda musical do século 20. Os álbuns que lançou com John Lennon foram execrados pelos fãs e deixaram a crítica de música pop sem saber o que escrever.

Afinal, em meio a melodiosos Beatles, Rolling Stones, Simon and Garfunkel, para eles era uma barreira intransponível o que se ouvia em Two Virgins Unfinished Music n 1 (de 1968, famoso por trazer a foto do casal nu, de frente e de costas), Unfinished Music n 2 ­ Living With The Lions (1968) ou Wedding Album (1969), a trinca de álbuns experimentais que lançaram quando os Beatles ainda estavam em atividade.

Aos 83 anos, Yoko tem mais um disco nas lojas que deve contribuir um pouco para saibam o que ela faz: Yes, Im A Witch Too (Eu Sou Uma Bruxa Também). John Lennon contou, em sua última entrevista à Playboy, que no final de 1979, estava nas Bahamas, com Sean Lennon, quando escutou Rock Lobster, do B­52, e imediatamente ligou para Yoko, para lhe dizer que estava na hora de voltarem a fazer música. Rock Lobster era o estilo de canção que Yoko Ono fazia em 1971, quando lançou seu disco solo mais elogiado, Fly.

A nova geração da música pop chegou à mesma conclusão em 2007, quando colaborou com Yoko Ono no álbum Yes, Im A Witch, do qual participaram, entre outros, Cat Power, Peaches e DJ Spooky.

(leia matéria na íntega na edição impressa do Jornal do Commercio)

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