Rap

Criolo refaz primeiro disco como uma celebração ao rap

Álbum teve apenas 500 cópias e se tornou item de colecionaro

José Teles
José Teles
Publicado em 18/05/2016 às 10:17
foto: divulgação
Álbum teve apenas 500 cópias e se tornou item de colecionaro - FOTO: foto: divulgação
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Quando gravou Ainda É Tempo, em 2006, Kleber Cavalcante Gomes, ainda era conhecido no universo do hip hop paulistano com Criolo Doido. Ele militava no rap desde o fina dos anos 1980, era um dos mais atuantes rappers de São Paulo, mas o que ganhava não dava nem para se manter sozinho. Ele morava ainda na casa dos pais. Um disco, portanto, era um sonho quase impossível. "Eu pensei em fazer um disco, tive a ousadia de gravar um álbum, em 2001. Em 2002, comecei a visitar um estúdio e colocar voz. Em 2004, quase 2005 acabei de colocar a voz. Fomos pagando ele de parcelinhas, aí em 2006 ele veio pra rua. O grande sonho era você ter o disco na mão. Nem imaginava vinil, era muito distante pra gente. Quando disco saiu eu tinha completado 16 anos de rap. Era um sonho antigo", conta Criolo, em entrevista por telefone, de São Paulo.

O rapper está divulgando o álbum Ainda É Tempo, que recebeu uma reedição comemorativa pelos dez anos de lançado. Porém não se trata simplesmente repor nas lojas o álbum, cujas cópias originais tornaram­-se item de colecionador. A tiragem teve apenas 500 cópias, vendidas mão a mão. O álbum foi regravado, com produção de Ganja Man e Marcelo Cabral, além de convidados como a dupla Tropkillaz, e os beatmakers Papatinho, Nave e Sala 70. Enquanto o Ainda É Tempo de Criolo Doido tem repertório ocupando 22 faixas (contando com vinhetas), o novo álbum traz apenas nove, retrabalhadas, com as diferenças possibilitadas pela tecnologia e a grana que Criolo agora dispõem para gravar.

Porém ele diz que não havia a intenção inicial de refazer o disco: "Regravar este disco surgiu de outra coisa. A gente não ia fazer este. Quando foi chegando perto da data dos dez anos, a gente decidiu fazer um show. O disco, não teve show, a gente não podia. A master se perdeu no estúdio, então não tínhamos as bases deste disco. Não tinha condições de fazer nada, combinamos fazer a apresentação porque este disco é muito importante pra mim. Então convidamos Alexandre Orion pra fazer a direção de arte. O pessoal foi chegando e aí quando a gente foi ver, tinha tanta coisa, tanta gente nova redor desta energia. Então naturalmente pensamos em fazer o registro fonográfico daquela parada que estava acontecendo. Assim não teve esta de vamos fazer o disco".

Ainda É Tempo, apesar da tiragem limitada, atraiu a atenção sobre Criolo, mas ele só voltaria a lançar disco em 2010, um EP amarrando a parceria com Ganja Man e Marcelo Cabral, e o segundo CD em 2011, Nó na Orelha, liberado gratuitamente na Internet. O sotaque carregado de paulistano da Zona Oeste dá lugar à risada quando é instado a resumir sua carreira nos dez anos que decorreram desde o lançamento do Ainda É Tempo:

"Cara, é uma crueldade a pergunta. Como você quer, em 140 caracteres (a dimensão de uma mensagem no twitter). O que posso dizer é foram dez anos de muitas situações. O Nó na Orelha é de cinco anos atrás, e mais cinco o Ainda É Tempo. Foi de muito aprendizado, de entender cada vez a importância da música na vida das pessoas e na minha vida. Na outra ponta tinha um cara com 30 anos dependendo dos pais, para ter um prato de comida, pra ter onde dormir. Quando tinha 30 achava que tinha muita coisa para aprender. Hoje com 40 vejo que é brutalmente maior o que ainda tenho que aprender, nem dá para mensurar. Mas me permito viver estas energias que a música me oferece, sempre recordo da importância do rap na minha vida, o quanto ele é importante pra mim, o quanto ele me proporcionou", dispara Criolo.

 

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