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Outros sons para o presente natalino ou de amigo secreto

De Nó em Pingo d'Água ao novo Metallica, as opções são muitas

JC Online
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Publicado em 17/12/2016 às 9:17
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De Nó em Pingo d'Água ao novo Metallica, as opções são muitas - FOTO: foto: reprodução
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Roberto Carlos lançou ontem um single, em duo com Jennifer Lopez. Interpretam a canção Chegaste (Kany Garcia). Não é exatamente o que os fãs queriam dele no final do ano, e sim mais um álbum, para dar continuidade à tradição do Rei como autor da trilha sonora da ceia natalina, como aconteceu durante pelo menos três décadas. A ausência de RC entre os lançamentos do final de ano, faz com que os sertanejos ocupem o seu lugar na preferência da chamada maioria silêncios (nem mais tão silenciosa assim).

Mas para os que curtem outras sonoridades, a ofertas é vasta. A seguir alguns lançamentos recentes para, quase, todos os gostos:

 Nó em Pingo d’Água, Sambatologia (Biscoito Fino) – O veterano grupo carioca faz uma síntese da evolução do samba, começando com Pelo Telefone (1916, Donga/Mauro de Almeida), até O Morro Não Tem Vez (1962, Tom/Vinicius). Entre ambos os sambas, tem Se Você Jurar (1931, Ismael Silva/Nilton Bastos/Francisco Alves), que definiu o formato do gênero, sem esquecera bossa nova, Noel Rosa e Moacir Santos. Todos devidamente reinventados.

 Skank, Samba Poconé (Sony Music) – Os 30 anos do álbum mais bem sucedido dos mineiros da Skank trouxe Samba Poconé de volta às lojas, como álbum triplo, com versões alternativas, sobras que não entraram no disco original, que tem onze faixas, agora acrescido de mais traz 29 faixas . A edição é primorosa, algo que não é muito comum por aqui.

 Metallica – Hardwired ... to self-destruct (Universal Music) – Segundo a Kerrang, respeitada publicação especializada em metalaria pesada, este é o melhor álbum do Metallica desde o Black Álbum, de 25 anos atrás. Embora não leve o gênero adiante, o grupo retoma o pique da juventude, agora bem mais calejados. Álbum duplo, com quase 90 minutos, em que a Metallica refina um subgênero do HM, que exige não apenas música visceral, mas também apuro técnico de quem o faz.

 Elis, Trilha Sonora Original do Filme (Universal Music) – A elogiada biografia cinematográfica de Elis Regina tem um trilha excelente, que mostra o desenvolvimento da sua música, de meados dos anos 60, com seu primeiro sucesso Menino das laranjas (Theo de Barros), passando pela era dos festivais, à conversão à guitarra elétrica, com Cinema Olympia, ao engajamento político em O Bêbado e o Equilibrista. Tudo em gravações originais. O disco tem ainda canções que fazem parte do roteiro, como In and Out of Love, com as Supremes.

 Emeli Sandé , Long Live the Angels (Universal Music) – Uma espécie de Adele com soul, a cantora escocesa é uma da campeãs de vendagem da música inglesa, mas não tão palatável quanto a citada Adele para vender milhões de discos. Emeli faz pop com ousadias, e tem uma grande voz, toca bem piano, não é só arte de produtor competente.

 Andrea Bocelli, Romanza (Universal Music) – Edição de 20 anos, com três faixas bônus, de uma coletânea que vendeu 20 milhões de cópias mundo afora. Há quem o condene pro vulgarizar árias clássicas. Elvis fez isto com canções napolitanas. Na edição comemorativa há duas versões bônus do maior sucesso do tenor, Com te partiró

 Hurtmold, Paulo Santos, Curado (Sesc) – Classificado como experimental, de vanguarda, o Hurtmold, no entanto, faz música acessível, mesmo que harmonicamente complexa, com exploração de soluções sonoras não convencionais. Curado é parceria do Hurtmoldo com Paulo Santos, do grupo mineiro Uakti. A percussão de Santos dialogando com as soluções sonoras do Hurtmold são sempre instigantes em um repertório autoral e quase inteiramente inédito. A exceção é a faixa Bulamayo, lançada no disco Cozido (de 2002).

 Ivan Lins & Geraldo Flach, Muito Bom Tocar Juntos (Discobertas) - Os dois se conhecem desde 1968, na era dos festivais. O disco é um providencial registro de um show do carioca Ivan Lins com o gaúcho Geraldo Flach. O repertório é baseado em composições de Ivan Lins, com arranjos de Flach, que é pianista de talento.

Lazarus – Trilha original do musical de David Bowie e Enda Walsh (Sony Music) – álbum duplo, com o repertório do musical off Broadway escrito por David Bowie. Ele próprio selecionou o cast, fez os arranjos e assinou o roteiro, baseado em The Man Who Fell to Earth. Também escreveu quatro músicas novas.

 Vangelis, Rosetta (Universal Music) – Decano dos tecladistas do rock progressivo, egresso do pop Aprodite’s Child (cujo vocalista era Demi Roussos) , o grego Vangelis enquadra-se hoje no segmento new age. Rosetta foi inspirado numa missão espacial americana realizada em 2004. O disco é indicado ao Grammy de Melhor Álbum New Age. Algumas faixas se destacam, a exemplo do bela valsa Mission A complie (Rosetta’s Waltz).

 Laya (YB Music/Circus) – Integrante do grupo cearense O Jardim das Horas, Laya lança ótimo álbum solo. Embora ainda influenciada por Gal Costa, com maneirismo tropicalistas, ela até canta Hotel das Estrelas (Jards Macalé/Duda Machado), incursiona por outras searas, sempre bem acompanhada e segura. Pop, indie, e MPB.

 DNCE (Universal Music) – Álbum de estreia da DNCE, banda americana pop (ou o que hoje se chama de musica pop). Trabalho bem produzido, com canções que não diferem muito de congêneres, mas para animar a festa de quem está a fim de se sacudir é perfeito. Não importa que a faixa. Cake by the Ocean, o grande hit da banda, é o equivalente na segunda década do século 21 ao que I’m Too Sexy, do Right Said Fred, nos anos 80. 

 Guardiões do Samba, uma homenagem aos 100 anos do Samba - Dudu Nobre, Fundo de Quintal, Gilberto Gil, Luis Carlos da Vila, Martinho da Vila, Ti Surica, Zeca Pagodinho, alguns dos nomes que participam desta bela homenagem ao gênero centenário em 2016. DVD como doc ,e o CD com a trilha, dá pra animar a festa também na base do samba no pé.

 Wilco, Schmilco - Gravado nas mesmas sessões do disco anterior, Star Wars (2015), Schmilco parece ter sido feito por outro grupo. é pop camerístico, com belas melodias cantadas suavemente. Se encaixaria bem na prateleira do country rock. Tem alguma coisa de Crosby Stills Nash & Young em faixas como Cry All Day, mas sempre se mantendo nas baixas frequencia e alto nível de  canções.

 Alicia Keys, Here - Este ano a cantora americana Alicia Key ganhou mais manchetes, por ter aparecido sem maquiagem em eventos importantes. Esqueçam a maquiagem e ouçam Here, um disco que, parafraseando Gilberto Gil, vai louvando quem bem merece, e apontando o dedo para o que está errado. Um dos discos mais forte do pop americano este ano. Além de grande pianista, Alicia Keys tem uma voz privilegiada.

 Quarteto Radamés Gnattali e Convidados, Brasil de Tuhu - Tuhu era o apelido do maestro Heitor Villa-Lobos na infância (onomatopeia do apito da velhas locomotivas). Brasil de Tuhu é uma coleção de coleções colhidas por ele, arranjadas pelo maestro Leandro Braga, executadas pelo quarteto Radamés Gnattali, com Elba Ramalho, Joyce Moreno, Mauro Senise, Zeca Pagodinho, Nicolas Krassik, entre outros. 

 Badi Assad, Singular (distribuído pela Eldorado) - Violonista virtuosa, com espaço garantido nos palcos gringos, a paulista Badi Assad, despe-se dos preconceitos contra o pop, e grava Lorde, Mumford & Sons e o DJ Akrillex, porém trazendo suas canções para se universo, dando-lhes outra roupagens, e lembrando que também é uma grande cantora. Neste disco, lançado primeiro no exterior, ele celebra 25anos de carreira. 

 

 

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