Poesia visual

Tiago West: poesia para ser vista

Individual do artista tem abertura quinta, no Centro Cultural dos Correios

Bruno Albertim
Bruno Albertim
Publicado em 13/12/2017 às 23:37
Divulgação
Individual do artista tem abertura quinta, no Centro Cultural dos Correios - Divulgação
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O começo se perde em sua memória: ainda criança, Tiago West, 32 anos, começou a escrever poesia como formar de processar o mundo ao redor. Há uns sete, percebeu que a semântica de sua poética não só necessitava de, como implicava numa visualidade. “Eu acho difícil me classificar de uma forma só. Escrevendo, buscando identidade, refazendo a linguagem até chegar a esse modo de texto que tenho hoje”, diz o artista que, com sua primeira individual, Poema-viga, Palavra-olho, aberta nesta quinta, no Centro Cultural dos Correios, Recife Antigo, confirma que a poesia visual brasileira está longe de ter esgotado possibilidades com o pioneirismo concreto de Décio Pignatari ou os irmãos Campos.

Numa época de diluição de fronteiras conceituais e inevitável fusão de linguagens, a poesia gráfica de West surge como um ponto fora da curva não apenas pelo ritmo visual que nos captura o olhar para sentidos insuspeitos, revelados na dinâmica gráfica, mas também pelo seu olhar atento de cronista do contemporâneo. “No começo, eu tinha uma relação mais forte com o texto, que ainda é o maior protagonista. Com o tempo, fui me seduzindo por todas essas coisas que têm identidade visual”, ele conta.

SUBJETIVIDADE COLETIVA

Ator dos tempos correntes, a poética de West vai se fixando justamente não na narrativa dos fatos mais objetivos. Mas captura, através de seu personagem em primeira pessoa, instantâneos dessa ainda impalpável subjetividade líquida do contemporâneo. “Minha vida foi toda honestidade/Menti/Mas menti/De Verdade”, diz um poema, materializado numa tipologia que remete aos primórdios do design gráfico brasileiro de um Aloísio Magalhães. “Chorei até / arder / a pálpebra / Me alaguei / Pesa / Quando / Se quer / Mas não dá / E eu queria / Não dava”, diz outro, cujos versos vão costurando e ampliando sentidos conforme a leitura percorre a superfície.

A exposição é composta de uma série de cerca de 70 quadros, de arte gráfica impressa. “Em algumas obras, imagem e palavras não têm, sozinhas, autonomia. Estão juntas”, sintetiza o baiano de nascimento, pernambucano de formação. Ele veio morar no Recife com três anos de idade. “Me considero recifense. Tenho muito o espírito da cidade, que influencia muito. Sou influenciado pelo que é produzido aqui, por perceber as coisas nascendo, as produções, os artistas. Você vai observando e absoverndo o raciocínio sobre todas as coisas. Recife tem um modo de enxergar, e que acompanho esse modo”.


Poema-viga, Palavra-olho, exposição de Tiago West. Abertura, hoje, no Centro Cultural dos Correios, 19h. Av. Marquês de Olinda, 262, Recife Antigo. Fone: 3224-5739. Em cartaz até 16 de fevereiro.

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