HISTÓRIA

Luiz Coutinho apresenta versos inspirados na Revolução de 1817

No Cancioneiro da Revolução, o médico e escritor transformou em poesia cenas e personagens do movimento

Diogo Guedes
Diogo Guedes
Publicado em 26/02/2018 às 8:30
Bobby Fabisak/JC Imagem
No Cancioneiro da Revolução, o médico e escritor transformou em poesia cenas e personagens do movimento - FOTO: Bobby Fabisak/JC Imagem
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“Mostrando que podem até nos matar,/ Porém nunca vão conseguir nos dobrar”. Depois de presenciar uma palestra sobre a Revolução de 1817, o escritor e médico Luiz Coutinho ficou tomado pelo espírito dos revolucionários. Começou, ali mesmo no carro, a compor mentalmente um poema, intitulado depois de Galope Ante o Crânio de Barros Lima. Ainda não sabia, mas era o início de um novo livro, intitulado Cancioneiro da Revolução.

A obra, que ganhou a menção honrosa na última edição do Prêmio Edmir Domingues da Academia Pernambucana de Letras (APL), vai ser o tema de um recital nesta segunda (26), a partir das 15h, na sede da instituição. Lá, Luiz e colegas da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (Sobrames) vão ler alguns dos versos da obra, toda baseada em personagens e relatos da Revolução de 1817. Além disso, haverá uma palestra de George Cabral, do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP), e uma apresentação musical do instrumentalista Múcio Callou, que executará a Suíte 1817, composta em homenagem ao movimento.

Foi a série de palestras na Sobramos de Pernambuco que despertou a paixão do autor pelo tema. “O que aprendíamos na escola sobre 1817 é muito superficial. Depois eu vim entender o porquê: os ideários da revolução eram muito perigosos para o Império, que escamoteou a revolta por muito tempo ”, conta Luiz, que já venceu o Prêmio Pernambuco de Literatura com o livro de contos Nós, os Bichos (Cepe Editora). “A palestra ficou martelando na minha cabeça. Comecei com um poema nos moldes de um galope à beira-mar. Foi como se o espírito dos revolucionários tivesse me incitando a continuar, me imaginei como sendo um dos revolucionários.”

No livro, que ganhou um prefácio escrito pela pesquisadores Ana Maria César, Luiz transforma em versos vários momentos da Revolução Pernambucana. Para recriar esses momentos – contextualizados com citações e notas de rodapé –, ele se aprofundou em várias obras, com destaque especial ao relato de Francisco Muniz Tavares. “Ele começou a escrever a obra na prisão, que havia se convertido em um centro de estudos dos revolucionários. Como os que fizeram o movimento eram visionários, idealistas, poetas, pensei que poderia ter essa visão poética como se fosse um dele”, comenta o escritor.

Já pronto para publicação, o livro aguarda resposta de editoras – uma delas é a Cepe. Além disso, Luiz já tem um romance pronto, que planeja lançar a partir de maio. “Os poemas sobre 1817 surgiram quando eu estava no meio da escrita da narrativa”, comenta.

SUÍTE

Na APL, Múcio Callou ainda vai executar a peça que compôs especialmente em homenagem à Revolução Pernambucana. Escrita para flauta, violoncelo, violão e contrabaixo, a composição é dividida em oito parte e tem duração de 16 minutos. Na sua melodia, busca descrever o momento histórico e o sentimento do período revolucionário no Estado.

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